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Andrigo Zaar

Prevenção de lesões na corrida

A corrida é utilizada em grande parte das modalidades desportivas, o que torna sua prática importante para um grande número de pessoas. Nos trabalhos realizados em corredores, é dada muita importância a capacidade aeróbica do indivíduo, ao consumo de oxigênio e no aumento da velocidade durante o deslocamento. A cada dia surgem metodologias diferentes e evoluções consideráveis nos treinamentos.

Muitos não dão a importância necessária a postura no desporto. No entanto, alguns estudos têm demonstrado a importância da postura na corrida para um bom desempenho, seja este um atleta profissional ou praticante habitual. Este é um fato de suma importância no treino, a postura pode fornecer vantagens e desvantagens definitivas em alguns esportes, inclusive sendo fator crucial para a auto-seleção em muitas modalidades.

Uma boa postura, tanto estática quanto dinâmica são importantes para o funcionamento do corpo trazendo economia de esforço. Uma má postura durante a prática desportiva pode levar um indivíduo bem treinado a maior fadiga e tensão muscular em algumas estruturas do corpo. Este tipo de postura torna mais difícil e eficiente a manutenção do equilíbrio sobre a base de apoio, fazendo com que determinados grupos musculares permaneçam em constante tensão enquanto outros são encurtados.

A vantagem que um atleta possui em ter uma postura adequada em seu desporto, é pelo menor custo energético quando a linha vertical da gravidade está sobre a coluna vertebral. Desta forma, o corpo não tem que ficar ajustando continuamente sua posição para conter as forças da gravidade. Ou seja, desta forma é funcional e econômico manter uma boa postura.

O modelo de postura correto, deve passar por uma linha vertical através da porção anterior da orelha e através de cada articulação da extremidade inferior.

Num excelente trabalho de Ross et al. (1998) com corredores lesionados, foi constatado que 40% deles tinham grande variedade de desvios posturais, debilidades, desequilíbrios musculares e diminuição da flexibilidade derivados da má-postura. Os problemas de mal-alinhamento envolvidos neste estudo foram os seguintes:

1 – Pés pronados ou planos, causando excessiva pronação na corrida;

2 – Mal alinhamento dos pés e das pernas durante o ciclo de corrida;

3 – Corredores com pés planos desenvolviam maior depressão do arco longitudinal sem eversão, enquanto os que tinham arcos cavos (pé plano) sofriam de mais lesões ao movimento excessivo da articulação subtalar;

4 – Indivíduos com um largo ângulo Q (medida obtida conectando-se o ponto central da patela à espinha ilíaca súpero-anterior e à tuberosidade da tíbia) ou genu valgo (joelhos em X), apresentavam lesões da articulação patelo-femoral e da própria patela. Atletas com genu varo (pernas de arco) também apresentavam disposição para lesões na região patelar, bem como síndrome da banda íleotibial;

5 – Atletas que apresentavam discrepância de comprimento nos membros inferiores (acompanhados por inclinação pélvica), desenvolveram bursite trocantérica e síndrome da banda íleotibial. Além disso, foi constatado que ocorreu compressão intervertebral no lado côncavo da curvatura lombar lateral (Ross et al, 1998).

Obviamente nem todos os praticantes de corridas de média e longa distância possuem características biomecânicas totalmente favoráveis à sua prática. Cada indivíduo possui comprimentos ósseos, articulares e musculares bem específicos. O mais importante é o preparador físico adaptar o gesto motor deste indivíduo, potencializando o que ele tem de melhor e minimizando ou corrigindo problemas derivados de uma má postura na corrida. Lesões como as citadas no trabalho de Ross et al. (1998), podem ser evitadas com avaliações minuciosas da postura, buscando assim corrigir ou minimizar esses problemas.

De acordo com Gerhardt (2007), a postura ideal para corredores de longa distância deve ser:

  • Tronco (além de estar fixado), deve estar ligeiramente inclinado para frente. Dessa forma o centro de gravidade do atleta será deslocado para frente.
  • A cabeça deve acompanhar o tronco, mantendo o queixo num ângulo de 90º em relação ao corpo. Para manter esta posição recomenda-se olhar para o horizonte durante a corrida.
  • Os braços devem ficar paralelos ao corpo, com os cotovelos num ângulo também de 90º. As mãos devem passar na altura da crista ilíaca. O movimento ideal dos braços eleva as mãos na altura do peito, com angulação voltada para o osso esterno.
  • Evitar fazer rotação excessiva das pernas (pés apontados para dentro ou pra fora). Esses movimentos podem causar entorses e lesões nas articulações, principalmente no joelho.

imagem andrigo

Postura ideal durante a corrida segundo Gerhdart (2007, p.64)

 

Para detectar alterações posturais, ortopedistas, fisioterapeutas e orientadores físicos recorrem a observação clínica e o uso do raio-x.

Hoje com o avanço dos estudos e da tecnologia podemos avaliar mais precisamente a postura ideal para a corrida. A fisioterapia com técnicas de RPG (Reeducação Postural Global) e a Quiropraxia podem resolver o problema.

Existe hoje um exame chamado baropodometria. Trata-se de sensores ligados a palmilha dos tênis que podem analisar os pontos de pressão exercidos pelo corpo na planta do pé quando se está em movimento ou parado. Desta forma pode-se determinar não só o tipo de pisada (pronação, supinação ou neutra), como também as oscilações posturais durante a marcha. No entanto ele é um exame relativamente caro, não coberto pelos planos de saúde e restrito a poucos profissionais.

Para maior satisfação e segurança, fique ligado, a atividade física deve ser precedida de um check up médico e ser monitorada por preparador físico especializado.

 

Referências Bibliográficas:

BLOMMFIELD, J. (2000). Postura e proporcionalidade no esporte. In Treinamento no esporte: aplicando ciência no treinamento. ELLIOT, Bruce & MESTER, Joaquim. Guarulhos, SP: Phorte Editora.

GERHDART, R. (2007). Muito além da coluna reta. Resvista O². São Paulo:Editora Esfera Br Mídia.v. 1, nº 48, p. 62-64.

ROSS, W. DE ROSE, E. WARD, R. (1998). Anthropometry applied to sports medicine. In The Olimpic Book of Sports Medicine 1 (Eds. DIRIX, A. KNUTTGEN, H TITTLE, K.), p. 233-265, Blackwell Scientific Publicatios, Oxford, 2000.

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