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Maicon André Malacarne

Mãos na enxada, mãos no volante – até que sejamos mais!

Sou filho de agricultores. Motorista mal e porcamente de uns carros pequenos. Moto nem pensar. (Bicicleta só no interior, porque tenho medo de ser atropelado…) Impressiona-me, sempre, as mãos dos agricultores – sempre machucadas de tanto trabalhar. Os calos são tantos que endurecem os dedos, até os movimentos das mãos diminuem, a sensibilidade se vai… a força e a dureza da roça ficam marcadas em todo o corpo, mas de maneira especial, nas mãos. Nem mesmo com o avanço das máquinas, da tecnologia, em alguns lugares, se vê a diminuição dessa labuta.

Assim também vão os motoristas. Os que trabalham diretamente, a noite é uma boa companheira e o início do dia vem antes de muitos de nós acordarmos. As estradas esburacadas do nosso país são a tristeza e a certeza de que o caminho ainda é longo, mas não dá pra desanimar. Mãos calejadas de cansaço, de horas e horas no volante, de carregar e descarregar pesos quase que insuportáveis.

Talvez poucas categorias cuidam da fé como os agricultores e motoristas. Poucos entendem de solidão, de trabalho pesado, de acordar cedo, de pisar a geada fria do sul e cobrir-se do sol ardente do norte, do que essas mulheres e esses homens. Poucos, também, são tão desvalorizados. Já ouvi por aí chamar alguém de “colono” como deboche. Ria-se da piada. Coitados. Nem sabem que, talvez, esse seja o maior elogio que se dê a uma pessoa: chamar de colono.

De alguma maneira, dar parabéns pelo dia é muito pouco. Precisamos nos ajuntar na construção de dias melhores para todas as pessoas, dentre eles, os motoristas e agricultores. É preciso mais, mais… Desafia-nos, à medida que saudamos esses guerreiros da história, também ajudar a pautar uma maior valorização da classe da roça, dos seus produtos, da sua subsistência… assim como a busca por estradas melhores, maiores condições de saúde, de vida, de renda para os que se dedicam ao volante e para quem o utiliza apenas para as necessidades diárias.

Com fé, com solidariedade, de mãos unidas, com cintos de segurança, com organização, vamos caminhando melhor e mais longe pelas terras e estradas. Plantando e colhendo, carregando e descarregando, o sonho vai se tornando realidade.

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