a rádio web da cidade

AO VIVO
Baixe já seu app
PUBLICIDADE

Marcelo Figueiró

O Destino de uma Nação

Gary Oldman reproduz Churchill e cria uma obra necessária

Sempre divido os filmes em três grupos, independente do gênero. Acredito que existam os filmes de natureza fantástica (Ficção Científica, Terror, Fantasia, Super-heróis, etc) e os filmes sobre a vida real (Dramas, Comédias, Romances, tudo que poderia ter existido, mas se esqueceu de acontecer). Já o terceiro grupo são os filmes NECESSÁRIOS, que podem mudar a vida de um espectador.  O Destino de uma Nação (Darkest Hour, Reino Unido, 2018) certamente é uma película deste conjunto. A obra traz o início do mandato do primeiro ministro da Inglaterra, Winston Churchill (Gary Oldman, Planeta dos Macacos – O Confronto, 2015), suas relações com o parlamento inglês e a nobreza, o ingresso do império britânico na segunda guerra mundial e a retirada de Dunkirk, que quase levou a Inglaterra a se render aos nazistas.

O Destino de Uma Nação (2)

Eleito por Rejeição

A fita, dirigida por Joe Wright (Peter Pan, 2015), inicia em meio a uma grande crise no parlamento, no início da Segunda Guerra Mundial. O então primeiro ministro, Neville Chamberlain (Ronald Pickup, Príncipe da Pérsia, 2010), havia perdido o apoio da Câmara Baixa. Era necessário encontrar um sucessor que unisse oposição e situação em defesa do país. O único membro do partido majoritário, aceito pela oposição, era Churchill. No entanto ele não possuía a simpatia de seus companheiros de sigla e da monarquia. Mesmo com o desprezo dos correligionários, a situação indica este senhor impopular para o cargo público mais poderoso da ilha.

O Destino de Uma Nação (13)

O verdadeiro anti-herói

Quem acha que o escolhido iniciou sua carreira como ícone, está muito enganado. Conforme o filme, Churchill era um líder inoportuno, obeso, fumante inveterado de charutos e ávido por bebidas alcoólicas. Abusava destes vícios já nas primeiras horas do dia. A fita deixa transparecer que sua eleição aconteceu apenas para acalmar a oposição. A situação esperava que sua inabilidade administrativa o derrubasse logo do cargo. A minoria teria então que se contentar com outro nome, indicado pela maioria, para comandar a Inglaterra. No início do filme, Winston era o legítimo bode na sala.

Uma fortaleza contra o despotismo

No entanto, a forma como conduziu a crise, que resultou no ingresso efetivo do Reino Unido na guerra, fez o político se firmar como a principal liderança dos bretões. O longa traz o crescimento de Churchill, graças aos seus posicionamentos fortes, contrários a rendição ao Reich Alemão, que conquistava toda Europa Central. Mostra também o desprezo que recebia da realeza, de seus pares e até do governo americano. Para solucionar isto encontrou apoio junto ao povo inglês. Graças a ele tomou as decisões corretas. A película foca ainda no sucesso da Operação Dínamo, que reuniu centenas de barcos civis para resgatar 300 mil homens do exercito britânico, que estavam cercados pelos nazistas, na praia de Dunkirk, na França.

O Destino de Uma Nação (19)

O outro lado de Dunkirk

Como todo filme inglês, a obra inicia com pouca velocidade. Confesso que cheguei a dar algumas piscadas no começo. Mas, em seguida, existem momentos memoráveis, que tiram qualquer vestígio de sono. O filme é interessante para quem assistiu Dunkirk  (2017), de Cristopher Nolan. Este mostrava o desespero dos soldados ingleses tentando fugir da praia francesa. Aqui pode-se entender o outro lado da história. Em “O Destino de uma Nação” se apresenta as decisões políticas que levaram a retirada, basicamente com a ajuda de barcos civis.

A voz do Povo

Outra parte da película que emociona é quando Churchill encontra-se em dúvida sobre suas ações e houve um conselho do Rei George VI. “Procure saber o que pensa o povo”. Não sei se a cena é baseada em fatos reais, ou simples alegoria, mas é empolgante quando o ministro resolve fugir de seus seguranças e consultar a população. Isto dentro de uma viagem de metrô. Vale destacar ainda os discursos de Churchill, principalmente o último, que propõe a Inglaterra resistir contra toda forma de tirania.

Onde está Gordon?

Se a trama é digna da memória de Winston Churchill, a interpretação de Gary Oldman não fica por menos. É interessante procurar no ministro obeso os traços magros de Oldman, apresentados em outros filmes. O ator está totalmente diferente do Comissário Jim Gordon, que viveu em Batman Begins, e do Conde Drácula, filmado por Francis Ford Coppola. Ele se entrega de tal forma ao papel que mesmo as dificuldades de caminhar, fala e oratória do político parecem ser primorosamente duplicadas. O resto do elenco também realiza um trabalho adequado, principalmente o interprete do Rei George (Ben Mendelsohn, Rogue One, 2016), com a visão da monarquia sobre a trajetória de Winston. O mesmo é feito para secretária do ministro, Elyzabeth Layton (Lily James, Em Ritmo de Fuga, 2017). que traz a percepção do povo sobre as manias do parlamentar.

O Destino de Uma Nação (2)

Do desprezo ao reconhecimento

Mesmo longe de ser um blockbuster, “O Destino de uma Nação” é uma obra grandiosa, com dezenas de citações do político como “Quem nunca muda de ideia, nunca muda nada”, “Jamais negocie com um tigre, que esta com sua cabeça na boca”,  ou “ O sucesso não é eterno, o fracasso não é o final, a coragem para continuar em frente é que conta”. Mas o que chama atenção na história é a trajetória do líder. Este tinha fama de derrotado, devido a insucessos na primeira guerra mundial. Era considerado insuportável pelos seus pares. Foi colocado no poder apenas como bode expiatório. Mesmo com tudo isto, foi vitorioso aos 65 anos. Hoje é reconhecido como o inglês mais influente de seu século. Churchill enfrentou conspiradores e não se curvou, levando a ilha para uma postura combativa contra o Hitler. A mesma posição que o povo desejava. Jamais se entregou e conseguiu que a coroa britânica mantivesse o império gigantesco que ainda sustenta.

A receita certa

Certamente a vida de Churchill é um exemplo para um país como o nosso, dividido como a Inglaterra de outrora, e necessitando de um líder, tão inesperado como ele. Como já disse, a fita é um filme obrigatório para inspirar tanto políticos quanto cidadãos comuns que querem uma nação e uma vida melhor para todos. Talvez o primeiro ministro inglês tenha dado a receita de como se conquistar isto. Tudo há quase um século atrás.

O Destino de Uma Nação (4)

Trailers

https://youtu.be/2bTSm8311jQ

https://youtu.be/h6E1wT_lxx8

Publicidade
Publicidade