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Neusa Cidade Garcez

Oração e Preservação

Neusa Cidade Garcez

Membro da Academia Erechinense

de Letras e Historiógrafa

As igrejas antigas, principalmente as européias, impressionam pela suntuosidade, pela engenhosidade construtiva e muitas vezes pela beleza.

As igrejas românicas me assustam pela brutalidade das paredes largas, ambiente lúgubre, pinturas escuras, retratos vivos dos sentimentos e padrões morais da época em que foram erguidas.

Em cada viagem tenho dois roteiros obrigatórios: igrejas e museus, ambientes que, às vezes, são parecidos. Muitas igrejas que considero museus possuem riquezas encantadoras em estilo, pinturas, vitrais, tapeçarias e túmulos de personagens considerados como dignos de estar ali.

Porém, nem sempre o são. Sabe-se que cada acontecimento, ou período de tempo é descrito por um alguém que narra a história que interessa a um grupo, ou ordem, etc. O intenso e instigante trabalho do historiador ou pesquisador, distanciado do tempo, é filtrar os fatos, escavar a fundo em pesquisas sérias e isentas de seu julgamento – se for possível – e, inúmeras vezes, desmistificar lendas.

As grandes igrejas me fascinam. Fiquei horas sentada na praça de fronte ao Duomo de Milão, percorrendo com o olhar as delicadas agulhas de suas torres que sobem ao céu como suspiros humanos de dor ou esperança.

Por enquanto minha igreja preferida é a Catedral de Sevilha, Espanha. Quando estudei nessa cidade, ao sair das aulas matinais, diariamente ia percorrer o interior da magnífica igreja, ou simplesmente espiava através da cerca, o “pátio de los Naranjos”. No fim de semana, duas vezes aproveitei para subir a Giralda, o antigo minarete mouro, com cem metros ou mais de altura. Durante o período da ocupação mourisca, os muezins árabes subiam e desciam o minarete a cavalo para anunciar as orações a Alá. Após a Reconquista, foi colocado, pelos cristãos, o girardillo no topo do minarete, e também o sino, símbolo católico.

Recentemente, fiz questão de mostrar à minha irmã Cleusa, duas igrejas que me são muito queridas e que eu já havia visitado anteriormente. Fomos, sem grupos, apenas com uma guia a nos acompanhar, por muitos outros lugares não elencados no nosso roteiro grupal.

Uma delas é a São Paulo Extra Muros, onde repousa Saulo de Tarso, o Apóstolo Paulo. Ali, além do túmulo do santo, está uma relação dos primeiros papas. O quarto pontífice chamava-se Anacletus, o mesmo nome do meu pai Anacleto.

Outra das minhas queridas e que, na minha concepção, é também um verdadeiro museu além de igreja, é a San Pietro in Vincoli. Ali, como uma guia orgulhosa de seu conhecimento, apontei para minha irmã, o local onde está a obra máxima de um gigantesco gênio da humanidade, o Moisés. Michelangelo Buonarotti, nos faz chorar de emoção e incredulidade, diante da figura humana que ele retirou do mármore e lhe ordenou: “Parla” – fale!!

Descendo-se dois ou três degraus, em um local central está o objeto que dá nome a esta igreja tão especial.

A caixa de vidro mostra duas correntes que, dizem, não se sabe como se entrelaçaram tornando-se uma só. As narrativas afirmam que uma das correntes aprisionou Jesus e a outra foi usada em São Pedro, na prisão de Roma. Ambas foram mantidas em Roma como relíquias sagradas.

Igrejas museus como denomino, são lugares onde além de orações, pedidos e agradecimentos, está patenteada a genialidade humana concretizando a obra divina.

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