a rádio web da cidade

AO VIVO
Baixe já seu app
PUBLICIDADE

Neusa Cidade Garcez

O anjo e os mafiosos

Desde muito jovenzinha eu lia, ouvia – pelo rádio – notícias que me deixavam amendrontada sobre ações violentas de bandidos, que roubavam, matavam, contrabandeavam cigarros, etc. Na época em que o rádio era o grande difusor de notícias, podia-se sintonizar emissoras do Uruguai, Argentina e tantas outras. Uma das minhas emissoras preferidas era a “Voz da América”, através da qual eu “conheci” pessoas de vários países e nos correspondíamos.

Nesse tempo, de aparência mais leve, ao menos  para mim, impressionava-me o abigeato, que estudei a fundo no Uruguai quando andei pesquisando por mais de um ano pelo país todo para minha dissertação de Mestrado, na qual esse era um dos itens que conduziria ao cercamento dos campos orientais. Logo eu estudaria os caudilhos uruguaios e argentinos, assunto que me apaixonou.

Ainda na juventude li sobre a Máfia, em especial a Siciliana e a Camorra.

Não é preciso ser professor de História, pesquisador ou historiador. Qualquer pessoa de mediana instrução leu, ouviu, ou viu películas sobre a turbulenta época do mafioso Al Capone. A Chicago da época vivia em pânico, com as ações criminosas dos seus asseclas.

Analisando e me arrepiando de horror com nossa situação atual, quis reler a biografia de Capone para saber qual mafioso pior: Ele ou os nossos.

Alphonse Gabriel Capone nasceu no Brooklin, New York, 17 de janeiro de 1899. Muito pobre, desde jovem liderou grupos criminosos dedicados ao contrabando e venda de bebidas, entre outras atividades ilicitas.

Durante a Lei Seca, nos anos 20 – 30 do século passado sua atividade foi grande.

Scarface era o apelido de Al, devido a uma cicatriz na face adquirida na adolescência. Capone controlova informantes, pontos de apostas, casas de jogos, bordéis, bancas de apostas de corrida de cavalos, clubes noturnos, destilarias etc. Condenado em 1931 por sonegar impostos foi levado para a prisão de Alcatraz, de onde saiu em 1939  por estar com sífilis e debilidade mental.

Somente a Receita Federal conseguiu parar a ação de Capone.

Em que local do Brasil poderíamos, se houvesse decência, construir uma gigantesca Penitênciaria, para prender os banqueiros que lucram em um trimestre, trilhões de reais e devem bilhões para a Previdência? E o restante dos sonegadores, caberiam ali?

Talvez, se esse milagre acontecesse, poderia ser sanado esse monstruoso, esse demoníaco absurdo que coloca um trabalhador com salário de 3.000 (três mil) reais,  ou 4.000,00 na faixa de desconto de Imposto de Renda de 27,5%. Como nós, povo podemos suportar essa nojenta e abjeta cobrança, igualzinha a cobrada de salários elevados e de gente possuidora de grandes fortunas.

Salário de quatro mil reais é renda?

Podemos além desse asqueroso imposto, suportar ver a educação se esfacelando, impedindo que a futura geração pense, critique, construa um melhor? Como não chorar ao ver a saúde brasileira em caos impensável? A segurança que deveria existir, faz proliferar mais e mais gangs de bandidos, seguros de não receber punições.

O que nos deixa na mais absoluta decepção, revolta e asco, são os governantes corruptos que conspurcam o Brasil todo.

Assistimos diuturnamente a um dantesco espetáculo de imundície moral que implode nossa fé no ser humano. Pouco desses espertalhões sabem quem foi Dante, o que sabem é roubar.

Possuem  em comum com Capone, só a inicial do sobrenome, pois são canalhas, covardes, crápulas, cretinos, cafajestes, calhordas.

Atiram o país no lado gosmento de suas falcatruas.

Al Capone? Que anjo!!

Publicidade
Publicidade