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José Adelar Ody

A mulher ypiranguista

Ercilia Di Francesco Amorim, sócia fundadora do Ypiranga e integrante da torcida "As Legendárias"

Ercilia Di Francesco Amorim, sócia fundadora do Ypiranga e integrante da torcida “As Legendárias”

 As mulheres precisam

salvar o Ypiranga.

Quando o clube das cores nacionais

fez sua primeira partida em 1924,

no dia 20 de setembro, e bateu seu rival

o Ítalo Brasileiro (raiz do Atlântico)

por 1 a 0, o Canarinho já tinha

uma torcida organizada.

E era de mulheres.

Sim. Elas.

As mulheres.

As Legionárias.

A senhora Ercilia Di Francesco Amorim

estava na vanguarda.

A ela somaram-se outras.

Conheci bem uma delas e  ainda

está entre nós.

Falo da senhora Maria Amorim Smaniotto.

 

Só as mulheres podem salvar

o Ypiranga.

Os homens, como se percebe claramente

há muitos anos,

deixaram o Ypiranga na mão.

Salvo raras exceções que

não esmorecem doando-se

ao clube em uma tarefa se não

inglória, repetidamente decepcionante,

tudo o mais é trabalhar de dia para

comer a noite.

 

O Ypiranga precisa encontrar

uma base à rocha.

E é aí que entram as mulheres.

As mulheres ypiranguistas.

As Legionárias do século 21.

Você já reparou como uma mulher

fica mais bonita com uma camiseta

verde-amarela?

Nossa! Repare bem!

E isso sem contar a cor de rosa,

com contornos verde-amarelos e escudo

do time.

 

Já é conhecido o carnê de jogos

do Canarinho na Divisão de Acesso

de 2018.

Enfrentamento difícil,

mas realizável.

Também já são

conhecidos os adversários da Série C

do brasileirão.

Desafio elevado

– mas não impossível.

 

O clube se renova com o presidente

Adilson Stankievicz e o vice-presidente

José Scussel,

sustentados,

apoiados e cercados por

um expressivo número de ypiranguistas

que ocupam cargos fundamentais na organização de um clube.

 

Chega de projetar temporadas

só olhando para dentro do campo.

Sim, eu sei, é lá que se decidem

os campeonatos,

mas um clube é um ente vivo que respira,

sofre, planeja sua vida vindoura e sonha

também quando as competições

encontram-se em compasso de espera.

 

E é justamente nesse período

que normalmente o clube desenha

seu sucesso ou seu fracasso para

quando a bola rolar.

E pelo que se

percebe no ambiente Canarinho,

os ventos são de otimismo.

 

Que riam ou chorem por Grêmio

ou Inter. Isso é inevitável.

Está no DNA de todo gaúcho ou descendente.

Mas que haja uma relação de amizade,

de afetividade,

de amor,

de comprometimento e,

por que não em novos casos

– de paixão -,

pelo time da sua cidade,

do lugar onde você estuda, trabalha e mora.

O lugar onde encontras teus amigos

e amigas – de homens a mulheres,

de crianças a adolescentes,

de idosos a bebês quase crianças.

 

Tudo isso já foi dito.

É dito.

Não é novidade.

E quase nada acontece.

Agora – quebra essa rotina Erechim!

Faça um propósito de Feliz

Ano Novo: abrace o Ypiranga.

E é aí que as mulheres podem

fazer a diferença.

Tirem o seu homem de casa

aos domingos.

Os adolescentes que troquem

o morro,

os Altos da Maurício

pelas arquibancadas

do Colossão por duas a três horas aos domingos.

Em dias ou noites de jogos

do Ypiranga,

o time da tua cidade.

Depois voltem ao morro, aos Altos…

Não precisa deixar de ser colorado

ou gremista

– mas coloque na sua agenda

que teu outro time está aqui,

nas tuas barbas,

no teu peito, no teu coração também.

 

Um começo já é essa direção

e seu elenco diretivo.

Outro será o plantio de

consulados na região.

Outro mais devia estar em

visitação à escolas ou atraí-las (alunos)

durante a semana para conhecer

o estádio e brincar nele.

Cinquenta anos se passaram,

e o Colosso da Lagoa ainda é o cartão postal

de Campo Pequeno.

Outro ainda podia ser a

instalação de microconsulados

nos bairros da cidade.

E o que não pode faltar: a ressurreição

da torcida organizada feminina

Canarinho – com um espaço

no próprio estádio, e um grupo de WhatssApp

“As Legendárias”.

As mulheres não querem se

equiparar ao homens?

As mulheres já não passaram

os homens?

As mulheres não são maioria?

Não são as mulheres que do alto

da sua independência

profissional sustentam famílias inteiras?

Não estão elas no comando

de empresas, em larga maioria

na prestação de serviços?

 

Sim, o Ypiranga ainda tem

persistentes homens.

Mas só com eles não vai dar.

Chegou a hora da mulher entrar

em campo.

ela pode fazer a diferença

que falta.

Talvez não tenha sido só uma

coincidência,

um capricho do destino

– a primeira torcida organizada

do Canarinho ser só de mulheres.

Talvez seja mesmo verdade

que nada é por acaso.

Quem sabe um dia o clube possa

referir como sua base de rocha

– a mulher erechinense.

As Legendárias do século 21.

A mulher ypiranguista.

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