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José Adelar Ody

A cultura do Polo

Esses dias, escrevi algo sobre os orgulhos de Erechim.

Um deles é o Pólo de Cultura.

No meu entender um lugar que anda tendo menos cultura do que devia, ou que o nome sugere.

Quem acompanhou sua história desde, a feitura do primeiro buraco, para depois ter o suporte e fazer-se erguer, como eu; sabe.

Como ele leu, recebi a seguinte mensagem do empresário Jaci José Delazeri, idealizar do Pólo: “em relação ao Pólo te asseguro que jamais teria dedicado um minuto para construí-lo se soubesse que haveria desvio de finalidade do projeto proposto. O projeto de uma escola de dança de nossas raízes e outras atividades culturais relacionadas”.

Jaci Delazeri diz mais: “despendi anos de minha vida vendendo uma idéia e captando patrocínios e hoje me sinto com vergonha perante aqueles que me apoiaram. Eu não tenho orgulho do que fiz”.

Questionei se de fato fazia referência a minha abordagem no artigo “O maior orgulho de Erechim”, e ele confirmou. “O problema é que convenci pessoas físicas e empresas para patrocinar o projeto e este pessoal é da minha relação e, quando me encontram perguntam: como vai o projeto? O dinheiro da obra tem valores significativos fora de Campo Pequeno” (o principal teria vindo de fora de Erechim). Segue ainda: “Quando a gente não tem o que responder a quem te apoiou, bate no caráter, principalmente porque eu não entreguei o que prometi a eles”.

Quando o idealizador do Pólo de Cultura se refere a “desvio de finalidade”, logo fico a pensar que pode estar se referindo a eventos divorciados do conceito simples sobre “cultura”. Não por acaso, o mesmo disse ontem, que o Pólo de Cultura enquanto centro cultural é um grande “pólo de rally”.

Pois é. Esta é uma boa discussão.

É aquela área da Accie o melhor lugar para recepcionar o rally?

Certa vez, depois de um desses eventos esportivos, que goza de grande apelo na cidade, constatei o “afundamento” de passeios, costurados de tal sorte eminentemente culturais, promovido, por dedução elementar por excesso de peso.

De outro azar, aonde poderia o rally abrigar-se com estrutura comparável à existente no Parque da Accie? Difícil encontrar algo parecido em Erechim, mas que diacho, e o que é feito então do Pólo de Cultura?

Mas não é apenas o rally. O evento anterior ao desta semana, e de porte realizado no local, e, reitero, porque é da Accie e lá tem espaço, foi a Aurora assumindo os frigoríficos da finada Cotrel. Em breve, deveremos ter lá no Pólo de Cultura, porque também é um dos poucos lugares com espaço, um simpósio de leite.

Pelo que se deduz, não foi por acaso o município de Erechim ver sua Pasta da Cultura rebaixada para um departamento, o que, aparentemente, já está de bom tamanho considerando, por exemplo, o que se faz, de fato, de cultura – no Polo.

A bem da verdade completa, impõe observar que o endereço oficial da Academia Erechinense de Letras (AEL), é sim, a rua Henrique Pedro Salomoni, 426, bairro Frinape, de onde o Pólo expia a cidade desde 2001.

Sempre vi o Pólo (seu uso) como um Colosso da Lagoa.

As obras em si não têm culpa.

Seriam culpados seus idealizadores?

O problema é que faltam eventos.

Falta público.

Falta consciência de que temos algo, mas não se faz uso devido na dimensão das duas grandes obras para uma cidade como Campo Pequeno, considerando seu fim específico.

Ou seria uma ilusão de ótica e uso, que produz tão somente, um olhar cultural, aparentemente, divorciado e apressado, sobre os fins específicos dos dois pólos.

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