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José Adelar Ody

Um evento de perder o boné!

Todos nós já ouvimos a expressão “tirar o chapéu” em referência a uma série de eventos, de manifestações, de obras, de artes, de posturas e atitudes, enfim, de tudo quanto consideramos mais que bonito – merecedor de elogios.

Há anos vinha usando toucas contra o frio. A colega de reitoria, Soriane Michelin (que está de aniversário neste 24 – parabéns); sempre insista que eu devia comprar uma boina, um boné, enfim. Algo assim para me proteger e, largar mão das toucas. “Que coisa mais feia essa touca!”, sempre lhe caía boca quando me via chegando assim.

Esses dias comprei uma boina. Ou um boné – seja lá o que for. Cansado de passar frio, quinta-feira de manhã quando fomos a Porto Alegre na homenagem da Assembléia Legislativa aos 25 anos da URI, iniciativa do deputado Gilmar Sossella, paramos em um restaurante de beira de estrada perto de Soledade. Para aquelas coisas você sabe.

Quando o ônibus já andava de novo pela 386 me dei conta que esquecera o boné ou boina na cadeira do restaurante. Sim eu tinha deixado lá. Fiquei quieto e ninguém sequer notou. Afinal, me acostumara a andar sem, a não ser quando muito frio, com as toucas odiadas pela “Sori”.

Depois da homenagem do Parlamento à URI comentei com o reitor Luiz Mario Spinelli, da possibilidade de pararmos na volta no mesmo restaurante, de novo, para aquelas coisas. Banheiro, comer alguma coisa, esticar as canelas e, no meu caso, pedir se não haviam encontrado uma boina ou o tal de boné.

Logo na entrada perguntei ao recepcionista se não haviam encontrado um boné perdido no restaurante. Expliquei que passáramos de manhã e… Ele foi logo avisando que era do turno da noite, que não sabia nada sobre boné nenhum, ou se alguém havia encontrado alguma coisa do gênero. Sugeriu até que voltasse no dia seguinte – foi o que entendi. Ora… um boné ou boina de R$ 18 e eu voltar? Para com isso!

Mais calmo, pediu a uma atendente que desse uma olhada se não haviam encontrado um boné perdido. Ela olhou, remexeu e dentro de um armário puxou a boina ou boné: “É um cinza?”, perguntou. E logo emendei ao vê-lo: “É esse mesmo!”, pelo que agradeço aos funcionários do restaurante.

Peguei meu boné, fui ao banheiro e, depois, comer alguma coisa. Dali em diante a gozação se generalizou, ainda mais que o recepcionista sugerira que voltasse de dia para ver com quem trabalha nesse período.

Pois olha, a homenagem da Assembleia Legislativa à URI foi simples, bonita, com um envolvimento emocionado de deputados de onde a URI possui unidades, além do mais, um reconhecimento de mérito.

E ali foram lembrados desde os que tiveram a ideia de criar uma Universidade há 25 anos, onde antes só havia Instituições Isoladas de Ensino Superior e o Estado não se fazia presente. Também foram saudados os atuais dirigentes e, como bem lembraram os deputados, o valor da educação como elemento gerador de transformação e avanço de pessoas, comunidades, grupamentos humanos, cidades e regiões como é o caso da URI, é uma tarefa que propicia o desenvolvimento regional.

Numa avaliação geral e desapaixonada, com um olhar até mais jornalístico, foi uma cerimônia organizada, rápida e oportuna, com todos aqueles ingredientes que estão em eventos desta natureza, porquanto, muito justos para quem sabe como é difícil fazer ensino superior sem as benesses do poder público ou sem o caráter mercantil, mas, essencialmente comunitário e, ainda mais, distante do centro de poder das decisões.

Voltando ao que abre este modesto texto sobre a expressão de “tirar o chapéu”, diria, considerando as minhas circunstâncias de viagem, que foi sem nenhuma dúvida uma homenagem de “tirar o chapéu”, e por que não, até de “perder o boné!”.

E quando se trata de uma homenagem de uma Casa Parlamentar Estadual, mais que a uma instituição, mas à própria educação tão maltratada em nosso País, “tirar, esquecer e reencontrar o boné”, mesmo que circunstancialmente, é uma extensão à afamada expressão “tirar o chapéu” – porquanto honesta e feliz, talvez, até mais completa a quem se dedica a tão nobre missão como a URI tem e faz. Foi mesmo um evento de “perder o boné!”.

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