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Rodrigo Alves Pereira

Reflexões sobre Política (1)

Atualmente qualquer assunto relacionado à política nacional é motivo de lamento e pessimismo por parte da população brasileira. A impressão é de não existir caminhos seguros uma vez que os personagens do cenário atual não aspiram confiança, assim como suas legendas se mostram desgastadas e ideologicamente contraditórias.
Para aumentar a dose de descrédito, o judiciário apresenta sinais de fragilidade assim como o executivo e legislativo quando o assunto é ética, interesses pessoais acima do coletivo. A impressão que temos é de que a corrupção que tomou conta de nosso país, após corromper setores do executivo, legislativo e a iniciativa privada somou parceiros de toga para garantir os privilégios em última instância.

Começo hoje, uma série de três reflexões sobre política para somar argumentos e provocações às conversas diárias sobre o tema.

Em entrevista realizada no programa “Dialogando” pela rede de televisão Canal Plus Satelital em 21/05/1988, o economista chileno Carlos Matus, (que se notabilizou como um das maiores autoridades mundiais em estudos sobre a América Latina em temáticas como planejamento estratégico, capacidades governamentais, governabilidade, estilos estratégicos de governo, entre outros assuntos), resumiu, segundo o seu entendimento as cinco causas de descrédito da política latina americana, (valem salientar que Carlos Matus é enfático que o “sobram inteligências”, na América Latina, portanto não é um problema de capacidade intelectual, mas de um desvio de rota, um entendimento distorcido e uma tradição viciada da gestão pública).

Carlos Matus entende que:

1)    A política está fora de foco! Os políticos estão mais preocupados com os problemas dos seus partidos que os problemas dos cidadãos;

Com a prioridade voltada para os problemas de ordem partidários, de alianças e negociações de espaços administrativos, os problemas comuns, são relegados a um segundo ou terceiro plano.

2)    Os políticos não sabem que não sabem;

Creem que por improvisação, quadros políticos podem se converter em bons gestores públicos, enfatiza Matus “um bom médico não é a certeza de um bom dirigente público de saúde, um bom economista não é a garantia de um bom gestor de economia pública”. O que se esperar então de parceiros políticos que além de não serem especialistas da área que atuam usam seu espaço e recursos da administração pública como laboratório de aprendizagem. Muitas vezes tais gestores “não sabem que não sabem”, e a vaidade os impedem de colaborar para a solução de problemas coletivos.

3)    Não há prestação de contas na política. Se algo não for feito ou não feito bem, não há nenhuma responsabilidade pelo fato.

Tal situação facilita a mediocridade, a falta de ética e a corrupção a qual Matus atribui aqui não como um subproduto da mediocridade do sistema político.

4)    Os partidos políticos são clubes eleitorais. Eles não formam ou pensam seu país além das eleições e da partilha de poder;

Os partidos políticos não possuem centros de formação de seu dirigente e muito menos para pensar seu país a médio ou longo prazo, como nos países europeus. É suficiente o quadro político apresentar bases fortes que lhe proporcionem votos instantâneos ao partido para que os mesmos sejam agregados às fileiras partidárias, e em minha observação pessoal, hoje, prática corriqueira nos partidos de esquerda e direita sem exceções.
5)    A política é ultracentralizada e muito distante dos cidadãos.

A descentralização é um tabu a ser vencido. O dia a dia das comunidades tem que ser vividos pelos agentes políticos, a distância dos gabinetes das ruas é um abismo a ser vencido, uma vez que as pontes são conhecidas, mas infelizmente com tráfego livre apenas nos períodos eleitorais.

É curiosa a contemporaneidade da análise de Carlos Matus, o que nos leva a pensar de um caráter endêmico dos vícios em nossas práticas políticas.

Para a apreciação da entrevista de Carlos Matus acesse o link abaixo:

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