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Rogério Mesquita

Opinião

A MIRRA PRENUNCIA A PAIXÃO DE CRISTO

O nascimento e a morte de Jesus Cristo estão conectados de forma indissociável, mas o verdadeiro significado desses eventos marcantes ficou um pouco esquecido pelos interesses comerciais que permeiam todas as datas importantes nas sociedades de consumo.

Logo após o seu nascimento, Jesus recebeu a visita de Magos de Oriente, os quais trouxeram de presente ouro, incenso e mirra (Mateus, 2:11). A simbologia dos presentes é importante. Conforme a Igreja Católica, o ouro representa a realeza, o incenso é o símbolo da divindade, e a mirra, por sua vez, simboliza a Paixão de Cristo.

É o simbolismo da mirra que se pretende enfatizar nesse texto. A mirra é uma resina extraída de uma árvore nativa do nordeste da África (Somália e Etiópia), mas também encontrada no Oriente Médio, Índia e Tailândia. A palavra “mirra” significa amargo, em árabe. Segundo uma tradição egípcia, a resina tem propriedade curativas de feridas, sendo aplicada para funções antissépticas e anti-inflamatórias.

Nesse sentido, uma das possíveis explicações da mirra, enquanto presente, é para asseverar que Jesus Cristo nasceu para curar as dores da humanidade, literalmente através de milagres curativos, ou figurativamente por meio de sua palavra, e, ainda, exemplificativamente mediante seu comportamento.

Entretanto, a mirra era mais conhecida como material de embalsamamento – veja-se, por exemplo, a sua tradicional utilização nas múmias egípcias – razão pela qual é inafastável a conclusão de que o nascimento de Jesus já prenunciava a sua morte, ou seja, significava que Ele nasceu para morrer para o mundo. Aliás, a mirra também estava presente na morte de Jesus (João, 19:39).

Em outras palavras, Jesus Cristo veio ao mundo para oferecer-se como vítima no altar sacrificial, de forma única e definitiva, a fim de encerrar um ciclo histórico que durava desde as origens da humanidade e que era regido essencialmente pela Lei do Sacrifício, cujos detalhes são exaustivamente explicados por Ananda Coomaraswamy, na obra A Lei do Sacrifício, bem como por René Girard, no seu imperdível livro O Bode Expiatório.

De forma singela, pode-se dizer que a Lei do Sacrifício não pode ser rechaçada e realmente nunca foi suspensa. A violência sempre acompanhou o homem, desde os primórdios, e a pretensão de afastá-la se dava através do sacrifício de um bode expiatório, isto é, um inocente era injustamente imolado para restaurar a paz nas sociedades humanas.

A crucificação de Nosso Senhor Jesus Cristo implicou o cumprimento categórico da Lei do Sacrifício, sendo que a Eucaristia é a recordação do ato sacrificial definitivo, que dispensa de vez a imolação de novas vítimas. O significado disso é imenso, pois impede que a culpa, a angústia e a fraqueza humanas sejam exploradas inadvertidamente pela malícia mundana, e permite ao homem andar de cabeça erguida diante de seus pares, pois o mundo está despido de poder apto a exigir vítimas sacrificiais. Deus Pai exigiu apenas uma, e Ele mesmo já a forneceu. Simples assim.

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