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Benzedeira que revelou segredo guardado há 67 anos pede para as pessoas deixarem depoimento sobre seu atendimento

Itla Frizzo completa hoje 84 anos de uma vida dedicada ao benzimento

Por: Agnes Wawrzonkiewicz/ Folha Regional/ Especial
Fotos: Agnes Wawrzonkiewicz
Itla Frizzo

Mesmo em tempos atuais, com os avanços da tecnologia e com os mais modernos recursos de que dispõe a medicina do século XXI, a cultura das rezadeiras ou benzedeiras, ainda resiste. Em um número menor do que antigamente, ainda há pessoas que rezam e acreditam na cura por meio da palavra. Geralmente, a oração foi ensinada pelos pais ou avós, mantendo assim a transmissão oral de conhecimentos populares.

Em Getúlio Vargas, Itla Frizzo da Costa, mais conhecida por Dona Itla, completar 84 anos hoje, viúva, aposentada, católica, zeladora de capelinhas, tesoureira do grupo da terceira idade Alegria de Viver, é benzedeira há 68 anos. Ela tem três filhos: Ilse, Vilson e Velci e seis netos.

Numa casa simples, no Bairro Santo André, Dona Itla, em uma entrevista exclusiva para a jornalista Agnes Wawrzonkiewiz, contou o segredo que guardou por muitos anos.

Natural de Getúlio Vargas, Itla tinha 16 anos quando foi morar com o marido na Linha 8, interior do município de Sertão. Segundo ela, o dom de rezar e benzer veio quando ela havia acabado de se casar com Belcino Pacheco da Costa, em novembro de 1949.

O segredo

A jovem Itla não havia gostado do lugar onde tinha ido morar, porque era longe dos seus pais e sogros. Ela vivia triste, chorando diariamente. Mas, por amar Belcino, permaneceu ao lado dele.

Itla trabalhava na roça e uma vez por semana ficava em casa, para realizar a limpeza, lavar roupas e fazer pão. Dona Itla lembrou, emocionada, do mês de abril de ano de 1950. Ela conta que eram duas horas da tarde, quando tudo aconteceu. Já tinha feito o serviço da casa e havia colocado o pão no forno, e estava muito cansada. Na frente da casa havia uma pedra grande onde se sentou para descansar. O dia estava um pouco frio, mas o sol brilhava. De repente, se armou um temporal, com vento muito forte, começou a chover e cair granizo, parecia noite. “Eu, ali sentada, e não caía nenhuma gota de chuva em mim. Quando me dei por conta, que não estava molhada e não havia nenhum coberto, comecei a chorar desesperadamente, pensando no que estava acontecendo. Era um mistério”, lembrou.

Naquele instante, parou de cair granizo. A chuva cessou e o sol brilhou novamente, como se nada tivesse acontecido. Foi então que ela ouviu uma música muito linda a tocar, parecia sair de um túnel muito longe e vinha chegando bem perto dela. “Naquele momento, eu senti uma mão bem pesada no meu ombro e uma voz me disse: não tenha medo e pare de chorar. Eu olhei para os dois lados e não vi ninguém. Daquele momento em diante, eu fiquei com uma força tão grande, uma alegria em meu coração. Senti que havia sido tocada por uma força divina, um verdadeiro milagre, a mão de Deus na minha vida”, comenta Itla Costa.

Ela relatou ainda, com lágrimas nos olhos, que a voz dizia assim: “de hoje em diante você vai mudar, vai fazer o bem sem olhar a quem e não vai contar a ninguém”. Questionando como poderia ajudar se não tinha nada, ouviu a resposta: “Na hora certa você vai saber, mas não esqueça que só o caminho do bem acalma a dor. Semear a alegria, sempre rezando a oração que Deus nos ensinou, não esqueça estas palavras. Vai chegar um dia em que você vai precisar de ajuda, só aí você pode contar todo o bem que você prestou às outras pessoas.” Itla lembra que começou a tremer e a chorar, pedindo que Deus a ajudasse. “Eu juro que vou fazer tudo que ouvi sem contar a ninguém”, disse, lembrando que a música continuou tocando e a voz mais linda do mundo disse: “Você se prepare. Durante a sua vida vai receber muitos avisos. Não precisa ter medo.” Naquele dia ouviu as palavras pela última vez.

Em junho do mesmo ano, quando ela estava fazendo as tarefas da casa, aconteceu um mistério que nunca esqueceu. “Ouvi gritos, chamando tia! tia! Eu olhei, era um guri que vinha gritando: o nenê da minha mãe está morrendo; ela vem vindo aí, pelo amor de Deus, faça alguma coisa para ele não morrer.” Itla saiu correndo ao encontro da mãe e do filho, pegou a criança no colo e lembrou das palavras que tinha recebido meses antes, quando estava sentada na pedra. Orou pelo menino, que acabou abrindo os olhos instantes depois de estar no seu colo. A família foi embora e a benzedeira ficou pensando quem poderia ser aquela mulher e os filhos, pois, naquele lugar, todos se conheciam e ninguém sabia do recado que ela havia recebido.

A mulher do milagre

Itla Frizzo conta que em junho de 1986, ela e o marido sofreram um acidente. Eles estavam num Fusca, quando uma caminhonete voou para cima do carro. Ela olhou para o lado e viu uma mulher que estava com os braços abertos, protegendo o casal, que não se machucou. A mulher sumiu logo em seguida.

Em 1999, quando já estava residindo em Getúlio Vargas, Itla lembra que uma mulher, que ela há havia visto, chegou a sua casa. Segundo Itla, a visitante disse: “Eu sou aquela mãe que buscou ajuda na tua casa, com duas crianças. Lembra? Ou já esqueceu? Eu vim fazer uma visita e trazer um aviso de alegria, por tudo o que você fez durante a tua vida. Você e o Pacheco merecem.” Dona Itla comentou que a mulher estava igual de quando a viu. “Eu já tinha 65 anos e ela não aparentava ter idade.” No dia seguinte, Itla recebeu a notícia de que ela e seu marido foram escolhidos para ser o rei e a rainha da terceira idade daquele ano. E, segundo ela, “a mulher era uma enviada de Deus”.

Os benzimentos

A vida da benzedeira foi seguindo, entre o trabalho da casa e da roça, intercalando com os benzimentos. A rezadeira disse que não benze de algo específico, mas é só alguém chegar pedindo ajuda, que ela já sabe o que a pessoa tem. Se concentra e lembra das palavras milagrosas.

Uma vez, sua filha Ilse, ainda bebê, ficou muito doente. Pela avaliação médica, uma fraqueza havia tomado conta da menina e não poderia ser salva. Ao retornar para casa, a benzedeira ouviu uma recomendação: “Ouvi chamar meu nome duas vezes e a voz disse para eu não ter medo e dar leite de cabrita para minha filha, que ela ficaria curada de verdade. E o milagre aconteceu.”

Em outro momento, seu filho Vilson caiu da carroça e a roda passou sobre a barriga dele. Itla aclamou a Deus com as palavras e o menino nada sofreu.

Itla perdeu as contas de quantas pessoas já atendeu, mas um dos benzimentos que mais chamou sua atenção foi de três jovens amigos que estavam perdidos nas drogas e vieram pedir ajuda. Depois de algum tempo, os jovens retornaram a casa de Itla para contar que tinham se livrado do vício.

Dona Itla finalizou a entrevista deixando um recado para as pessoas: “Faça sempre o bem, tenha fé em Deus e compartilhe minha história com amigos e familiares. As portas da minha casa estão abertas para receber cada um com muito carinho.

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