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José Adelar Ody

Menos Francisco, mais Ximitão!

Schmidt

 

No dia 28 de dezembro de 2000

publiquei um artigo alertando

o então político e prefeito,

Luiz Francisco Schmidt (LFS)

para que se desfizesse da fama

de Ximitão e fosse mais Luiz.

Naquele ano LFS estava encerrando

seu primeiro mandato de prefeito e, rodeado de

denúncias e problemas,

insistia em concorrer.

Depois da fatídica noite no Piscina

Clube, ainda em 2000;

quando Antonio Dexheimer,

surpreendentemente,

abdicou de ser o candidato do PMDB

com um apoio nunca antes visto

na história mais recente da política

local, para hipotecar sua solidariedade

e força política a LFS, sendo-lhe

inclusive companheiro de chapa

e de derrota, contra Eloi Zanella,

LFS mostrou sua volúpia.

No dia seguinte, Schmidt entrou

pela Andradas rumo à então sede

do PDT, partido de Schmidt

naqueles tempos, abraçado

a Dexheimer.

Não contendo as lágrimas

julgava que a despeito da

“onda de denúncias” no

epílogo de seu governo de 1996-2000,

que a reeleição era favas contadas.

Naquele ano então, alertei

que LFS devia ser menos Ximitão

e mais Luiz.

Estava demais o “Alemão”.

Dexheimer era o favorito da oposição,

mas LFS não se fez de rogado e ficou feliz

em ser o candidato, mesmo sob mau tempo.

Sim, porque sua energia,

sua ambição, sua sede pelo poder assemelhava-se

aos foguetes

– tamanha era sua força,

sua intensidade, sua tenacidade

em continuar subindo. Mas

avisei: assemelhava-se aos

foguetes lançados na Barreira

do Inferno, no Rio Grande do Norte,

que saiam do chão, subiam,

subiam, subiam – e antes de

alcançarem o objetivo (se é que tinham),

começavam a cair,

e cair até… bummm!

Dezessete anos, um dia,

quatro derrotas e uma vitória depois,

LFS está de novo na cabine

de comando do Foguete/Erechim.

Observe-se em tempo: o

Foguete/Erechim vêm se consagrando

nos últimos bons anos num legítimo exemplar dos

congêneres que subiam

aos céus (ou nem tanto céu assim)

na Barreira do Inferno.

No frigir dos ovos – estamos caindo e como!

Pois, um ano depois de subir novamente com

o artefato aos céus de Campo Pequeno,

com LFS na cabine de comando,

o que mais se ouve de quem

observa a olho nu, a binóculo,

ou à luneta; é que o foguete

não tem plano, nem rumo, nem rosto.

Não cai porque ainda

é cedo.

O espaço sideral político acostumou-se,

e aceita,

inquilinos por até quatro anos.

Não vai para o inferno porque pecado

não cometeu.

Não fez nada.

Mas o merecimento do céu está longe de conseguir,

porque nada fez,

e no purgatório não pode ficar porque tem tempo a cumprir.

Tempo a governar mesmo que

por ora – cheire à comida de hospital,

à refogado de chuchu – sem sal.

Depois de uma conquista épica

por 12 votos, com Eloi Zanella,

Antonio Dexheimer e tudo mais

em apoio, o que se recolhe das ruas,

das entidades, das barbearias,

das lojas, de autoridades, de políticos, da imprensa e,

principalmente de apoiadores incondicionais seus

(governo ou nem tanto assim),

são críticas e perplexidade.

Quem não votou em LFS tem na

ponta da língua um “eu avisei!”.

Quem votou em LFS deixa cair

da boca, porque não consegue

segurar, um “mas o que é que está acontecendo?”.

O que é feito do Luiz,

do Ximitão,

daquele sujeito ambicioso que metia

a mão na massa, que inspecionava

com os próprios olhos as obras?

Que empurrou o PT escadaria abaixo

na prefeitura, e da prefeitura dez meses

depois de uma relação diária/hiper/desgastante!?

O que é feito do “Alemão c.d.f.”

intolerante com a inércia,

com a inépcia,

com a letargia,

com o conformismo,

com as zonas de conforto!?

Se aquele Ximitão, errado ao

expulsar prematuramente o PT da prefeitura

(equívoco político grave),

era verde, porquanto demasiado impulsivo, ambicioso

e dono da única verdade, mas que jamais podia ser

denunciado por falta de atitude, pois,

17 anos, um dia, quatro derrotas

e uma vitória depois – aquele governante revela-se,

em seu primeiro ano de assento

principal no Foguete/Erechim, agora pela

segunda oportunidade, um ser incompreensivelmente inerte,

passivo

e tolerante ao que não devia. Pelo menos em se tratando

de política.

Como pode sua excelência

assistir,

sem ação,

à oposição dando as cartas

na Câmara de Vereadores por apenas

uma cadeira?

Abraham Lincoln

quando se decidiu pela 13ª Emenda contou os votos e

viu que lhe

faltavam alguns.

Não se prega

aqui “mensalões”,

mas observa-se o rigor

à regra de como também a política

se faz, ou de como se faz

política,

especialmente quando os objetivos

são elevados.

Lincoln colocou o fim acima do meio

e deu aos EUA mais decência. Pelo menos no papel.

Na legalidade. Na lei.

Como pode o Ximitão,

do poder e da ambição quase

desmedida vide a “desobediência” ao PMDB em 1996,

o arroubo forçado com Dexheimer em 2000

e o episódio prefeito/PT/1997,

agora,

vir a público, e diante da cobrança contra

seu governo sobre o caos do trânsito

na cidade, erguer aos céus quase em prece de perdão

– isenção de responsabilidade ao prefeito que lhe antecedeu

e dizer que até fez bem ao cancelar a concessão

do estacionamento!?

Schmidt acorda com uma bomba

no colo e, calado,

não denuncia que não é obra sua!

Por que LFS fala em constituir um Conselho, um Comitê,

ou seja lá o nome que pretende dar,

de ex-prefeitos para

ouvir-lhes opiniões,

quando os três praticamente declinaram

ao mandar-lhe recados por entrevistas

de que respeitam seus atos governamentais e até lhe

desejam que faça o melhor, ou seja, não querem,

claramente,

suas digitais em governo que não seja o de cada um.

Na real, ao receber uma prefeitura

mais que obesa, inchada,

um corpo de saúde paralisado e com

nós cegos em vários de seus órgãos,

um trânsito abandonado

e confuso,

um setor produtivo carcomido pela crise

semeada, regada e produzida

pelo lulopetismo – tão reverenciado

pela administração pública de Campo Pequeno anterior -,

ao receber uma Erechim omissa sobre seu verdadeiro

papel de liderar uma suposta unificação de interesses

do norte do Estado e um horizonte mais que nebuloso

– emoldurado por um céu com o acinzentado prenúncio

de tempo

fechado e de improváveis aberturas,

a menos que só com arrojo e inteligência,

pois o velho Ximitão,

aquele dos anos 1990/2000,

muito provavelmente em

desvario,

estrebucharia às derradeiras conseqüências,

com a administração

que lhe antecedeu.

Que nada!

Surpreendentemente, Ximitão

virou Schmidt,

que virou Luiz,

que se revela Francisco.

Falta pouco chamarem-no de Chico.

Por quê?

Por que parece não ligar quer com um Legislativo

onde se gesta

o embrião muito provável da próxima administração

executiva de Campo Pequeno,

quer com a administração

que lhe antecedeu repassando-lhe fardo,

quer com um secretariado marcado pela

indiferença da sociedade,

quer com os nove partidos que o apoiaram e que hoje

sobrevivem pendurados nos cabides da “empresa”

que tem como verdadeira proprietária,

a sociedade erechinense,

onde metade dela assiste de cabelo em pé

ao comandante do Foguete/Erechim, em aparente

sono letárgico, contradizendo

sua histórica postura em apavorante

zona de conforto.

E, por respeito a quem observa,

perplexo com o que se vê,

ou melhor,

com o que não se vê;

resta uma nesga de esperança que o

comandante não fuja às responsabilidades

exclusivas suas.

Que não se desculpe.

E muito menos ensaie buscar

explicações onde elas não estão,

como quem anda com uma lanterna

acesa durante o dia, como se com isso pudesse escapar

à acusação de não procurar saídas.

Se 2017 foi empenhado para observar

o panorama, o que parece muito pouco provável

– que o ano vá de uma vez porquanto já vai tarde.

Que 2018 sinalize nos radares de

Campo Pequeno que o Foguete/Erechim não se

perdeu no espaço sideral e

mais – seu comandante em chefe acordou

para a missão à qual se dispôs

com o aval da metade dos eleitores,

mais rasos 12, sobre o segundo da preferência.

O ano que está vindo,

mais que o centenário da terra dos 36 colonos que

lhe iniciaram a história,

precisa abrir as cortinas de

um novo tempo, de um governo de obras,

de iniciativas

e ações como os 102 mil erechinenses

merecem.

Cristo veio com uma mensagem

de paz.

Mas quando ele viu que as coisas

não iam como ele queria,

virou bancas ao chão

e expulsou do Templo quem lhe

ia na contra-mão.

O sentido da vida,

e dos governos,

não está

na vitória.

Está na luta.

Cristo foi crucificado,

mas sua luta,

sua mensagem – permanecem.

Erechim não tem mais tempo para

brincar de criança atolada na lama.

Chapecó e Passo Fundo já tomaram banho, se

vestiram e se foram.

Concórdia está no chuveiro e a roupa limpa a aguarda.

Abre os olhos e identifica

as lideranças de verdade.

Ignore os bem intencionados – sem obras concretas.

Repugne os falsetes.

O merecimento da glória

não leva em conta rompimentos necessários.

Pensar que a Medicina da URI representa

a redenção de Campo Pequeno,

é um olhar estreito por demasia,

para a real extensão das carências da cidade

centenária.

Crer que empresários vão restaurar prédios públicos,

de graça, é um atestado de imaturidade que um

comandante em cabine de foguete não leva a sério.

Considerar que na política,

seus adversários

estariam juntos,

no mesmo barco, é inacreditável.

E se por um milagre assim

fossem descobertos, o fariam por outro interesse

e em direção a este, em constatação remariam.

Tudo isso é de uma estranheza escalafobética.

Especialmente,

quando

a própria identidade é ignorada,

quando não, o histórico de conduta

– negado.

Acorda do Francisco.

Sacode a poeira do Luiz.

Abandone a zona de conforto LFS.

Surpreenda seus correligionários.

Inicie, de fato, seu segundo governo Schmidt.

A cidade só pode esperançar-se na ação.

Reaja.

Mas para isso,

menos Francisco, mais Ximitão!

 

 

 

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