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José Adelar Ody

No tempo das diligências!

 

Nas asas de mais uma campanha política eleitoral que se avizinha, tudo

que é tema ganha sangue, oxigênio e vida.

O turismo é uma das vertentes.

Não que os audaciosos e oportunos proponentes pequem por seu oportunismo, mas torna-se oportuno (perdoem a redundância) também frisar

que a coisa está feia . E como!

Não resta contestação mais gordurosa

que a região Alto Uruguai tem bom potencial a ser explorado pelo turismo,

mas a maldição é que ela é

quase epidêmica e indolor: falta reação.

O Alto Uruguai está fora dos mapas

turísticos de massa por várias razões,

mas uma salta aos olhos: nós não temos estradas.

Quem tem mais belezas naturais que Marcelino Ramos?

Quem tem um vale como o Dourado?

Quem pode ofertar 95% de cultura, arte e gastronomia polonesa do que Áurea?

Quem pode mesclar da pequena,

à grande propriedade se não mais que Paulo Bento, Jacutinga

e Campinas do Sul?

Onde a colônia italiana, a colônia alemã

e a judia,  afora seus núcleos bem definidos nas “colônias velhas”…

onde eles podem ser tocados com as mãos e respirados tão proximamente

como em Severiano, São Valentim, Aratiba, Três Arroios, Mariano Moro,

Erval Grande, Barra do Rio Azul, Quatro Irmãos, Getúlio Vargas, Estação, Ipiranga, Erebango..!?

Alguém já reparou dos altos da

RS-331 entre Gaurama e Viadutos

para o vale?

Que região mais tem três barragens

de médio e grande porte?

Que região cria aves, suínos, bovinos, caprinos, abelhas e até avestruz?

Que região mescla laranjas

com uvas, leite com cachaça, linguiça com  nata?

Onde se vê entre italianos, alemães, poloneses, judeus e gaúchos, onde

mais se vê essa fotografia acrescida

de indígenas como os que se espalham

de Charrua a Ventara; Benjamin e Faxinalzinho a Nonoai!?

Temos trilhos que o tempo come

e digere – mas não temos trem,

exceção aos pingados quilômetros

de Marcelino a Piratuba (SC)!

Não se pode desconhecer que

não faltam projetos para

aproveitamento da coisa pronta, mas

em termos práticos o que se vê são vagões de intenções e discussões

sobre quem é pai e quem é tio do filho Projeto que até aqui ainda só projeto é.

Salvo exceção a boa RS-420

de Erechim a Aratiba (olha a manutenção), pois afora esta, tente ir a Gaurama, Viadutos e Marcelino

Vamos. Tente!

Quem irá no verão vindouro

às barrancas do Uruguai e por que

haveria de ir se a RS-331 é um escândalo!

Por que pegar o carro e conferir

a colônia polonesa e suas atrações

ou a barragem do Rio Passo Fundo

e suas belezas se as vias são de risco

e, a visão, de abandono pela falta de infraestrutura.

De Aratiba até a bela Usina Itá – 18 quilômetros de pedra e buraco? Por que ir!?

Estão como sempre estiveram,

as linhas vicinais de acesso entre

essas comunidades interioranas,

tão ricas na matéria prima turística.

Sobre a 480 até Yeda Crusius, talvez fosse melhor uma campanha para que a própria virasse atração turística de si

observada por via aérea. Um

perfeito exemplar da nossa inoperância

e incompetência regional.

Certa feita conclui que a obra teria

o único fito de tornar-se o próprio

endereço turístico e por isto conclamei

que não a recuperassem e nem ameaçassem concluir o último trecho

daquela monumental “atração turística”,

espécime quase incomparável da

ausência de união e chocante falta de força política de Erechim e Alto Uruguai.

Teve de vir Yeda, que nunca passara pela 480 para concluí-la e recuperá-la até a ponte do Goio En.

Mas o povo, que segundo muitos

é a voz de Deus (que pecado!)

agradecido retribuiu:

Yeda tomou 2/1 em alguns municípios, e

em outros 3/1 na eleição seguinte.

Tudo gente que clamava pela 480 que ninguém terminava. Yeda, sem discursos que incitam e arrepiam por conta da nossa ignorância e estupidez, fez. Ah é – então toma!

Reflexão à minha tese: sim, o povo

a puniu porque a governadora acabara naquele trecho com uma estrada…

preferida das diligências. E com isso sepultou intentos de turismo com motivos do velho oeste americano.

O que dizer da nossa decisiva iniciativa, de falta de iniciativa, para agregar a região nordeste ao Alto Uruguai!?

Não… senhores! Nem pensem em desmanchar aquela extraordinária

manifestação geológica produzida

pelo tempo, e que nos coloca em verdadeiras crateras “made na terra

altouruguaiense” quando se entra

pela RS-126, ali depois de Pinhazinho

até Maximiliano de Almeida.

Mas como bons macacos de auditório

e primos-irmãos da ignorância e do

atraso não percamos a esperança: afinal,

a eleição está chegando e não será por falta de falação e promessas que não nos transformaremos numa próspera região turística.

E do jeito que essa história de

“indústria sem chaminé” vai – aqui nos nossos calcanhares

altouruguaienses; até eu acho que vou mudar de ramo: se alguma agência bancária quiser bancar

um capital a fundo perdido, eu até me disponho e investiria otimista

na aquisição de uma diligência. Não – uma

é pouco. Poderia implantar uma frota. Buraqueira, poeira, barro, curvas,

declives, aclives, “panelas”, pedras encravadas feitas punhais é que não faltariam e nem faltam (11 municípios do AU não tem acesso asfáltico e, quem tem, clama aos céus por recuperação, reparos

e cuidados) para a dita cuja, a diligência, atolar, quebrar, voar sobre pedras, mergulhar no pó, tombar…

De vez em quando podemos até contar com bloqueios de estrada por indígenas, também eles clamando por atenções.

Nossa… que emoção: está aí o

meu futuro e eu aqui querendo

que acabem com o mais original e fiel dos turismos da nossa geografia: viajar de diligência!

Por que não construir um forte e cercar

a região. Faríamos dela

uma “reserva de mercado”. As condições essências nós as temos em casa. O solo, o ar, as paisagens, a geografia, a desunião, a cobiça pessoal, o pauperismo quando o assunto é representação política. É como o Grêmio: tem o Luan de casa, o Grohe de casa, o Pedro Rocha era de casa, o Arthur, o…

Vanda Groch: exploremos já

o roteiro turístico – “No tempo das diligências” – antes que algum

político descubra este verdadeiro Ovo de Colombo. Por que se for descoberto, cai

na campanha e pode ser prometido.

Mas, ainda bem, ainda bem – que nada sai.

Nunca.

Estamos salvos.

Ninguém vai acabar com o pó, o barro,

a buraqueira, o abandono das nossas estradas.

Viva os nossos homens públicos.

Vivaaaa!

Isto sim é compromisso com o povo.

Com as comunidades.

Com o social.

Com a nossa economia.

Com a sociedade que elege e sustenta quem “cuida” das nossas necessidades

e “protege” nossas “potencialidades”,

como é o caso do nosso terreno

altamente propício e recomendado

para um grande projeto, o projeto

– “No tempo das diligências!”.

Quem tiver interesse neste tipo de turismo, que aguarde minha frota (?)

de diligências.

Os dois primeiros itinerários

que faria (ou farei – quem sabe!)

seguiriam para Maximiliano

para visitar a antiga Volta da Fome e a Barragem Machadinho.

O segundo, claro, para nossa capital – Passo Fundo.

Pela Transbrasiliana, é lógico.

A diligência por ser atacada!

Pode quebrar uma roda!

Pode-se ter de pernoitar na escuridão e, com bandidagem à espreita!

Em necessidade de fuga – vai que tombe!

E os estanhos vindo e a gente tendo que se defender. Uauuuu!

Rosários. Terços e terços para avistar o CRPO/Norte, porque em tais bandas,

sinal de celular é como cavalaria na hora mais necessária, exceção aos filmes de Wollywood, a mesma do glorioso homem, homem? – de House of….

Garantia de emoções mis.

Saídas às sextas-feiras

em frente ao Castelinho, em obras (?) há quase uma década, com direito a uma parada, obrigatória, em frente a um dos prédios mais identificados com a proposta

– a prefeitura municipal de Campo Pequeno.

Todo dia 13, roteiro

surpresa: retorno (nem sempre

garantido) no dia 15.

Não perguntem por que 13 e 15.

Talvez por que também meio de ficção.

Para dar mais charme autenticidade e sentir-se verdadeiramente no Velho Oeste

– a companhia forneceria rouparia de época.

E claro, um 45.

Preferencialmente um Shmith… Wesson.

Eeeeiiiiaaaaa!

Chega da rotineira mesmice.

Trabalho, Libertadores, Série B, Atlântico e CC.

Fofoquinhas nas redes.

Oi – bom dia. Boa noite.

Bom dia. Boa noite.

Será que vem chuva!?

Piratuba, Meia Praia, Itapema, Balneário.

Balneário, Itapema, Meia Praia, Piratuba.

Uma vez na vida – Europa!

Europa? – ainda quero ir!

Eleição.

E nada.

Eleição e eleição.

E nada e nada.

Eleição, eleição e eleição…

E nada, nada e nada…

Sempre a mesma coisa… de sempre.

“No tempo das diligências” – um exagero?

Que nada.

Exagero é a mesma conversinha de sempre porquanto há 40, 50 anos. E nada.

Pensemos na ideia.

Então, gentebamos adelante.

Mudar faz bien!

 

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