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José Adelar Ody

Por que a Intecnial recorreu à justiça

intecnial 4Uma das maiores indústrias de Erechim,

a Intecnial S/A,

vive um momento difícil.

Demitiu mais de 200 funcionários e viu a justiça acolher pedido

de recuperação judicial.

A empresa busca adequar sua área administrativa à nova realidade

e parte em busca de novos negócios.

Não se cogita em fechar as portas

e nem se fala em novas demissões.

A ordem, feitos os ajustes, é retomar

o ritmo dos negócios para pagar as dívidas

e voltar a ser uma das mais respeitadas indústrias do país

em empreendimentos do agronegócio e naval.

A conjuntura nacional plantada,

regada

e alimentada pela incompetência

dos últimos governos do PT

– onde o desemprego é uma triste realidade

que castiga mais de 13 milhões de pessoas

e um fantasma para milhares de outros brasileiros,

está no coração do problema que

hoje expõe a Intecnial,

nascida e criada em Erechim há 48 anos,

 por homens sérios

e inovadores.

O rombo nas contas públicas

do país, apresentada esta semana

pelo ministro da Fazenda

Henrique Meirelles

de que faltarão R$ 170,5 bilhões

para fechar as contas do país,

coloca uma pá de cal

e ilumina o fracasso rotundo

do modelo geral de administração pública de quem governou o Brasil

de 2003 até esses dias.

Seus efeitos agora estão aí.

Atmosfera falou com o assessor jurídico da Intecnial,

Claudio Botton,

que explica o momento da empresa.

Apesar de tudo, os dirigentes mostram-se

cientes de que com o esforço

de todos será possível superar

este momento delicado,

mas esperançoso,

porque com um novo modelo de gestão

da coisa pública nacional,

os dias que sempre oxigenaram

as mentes da empresa,

podem voltar e iluminar seus dirigentes

e funcionários para recolocar

a empresa no velho caminho

de segurança,

inovação e qualidade.

A Intecnial é mais que

uma empresa de algumas pessoas

ou o endereço de uma referência

no que produz,

ou ainda,

uma opção para quem trabalha.

A Intecnial S/A

é um orgulho de Erechim. 

 

José Adelar Ody – O que houve com a Intecnial?

Claudio Botton – Ingressamos na Justiça

com pedido de recuperação judicial.

 

Ody – Quando?

Botton – Dia 16 deste mês.

 

Ody – E então?

Botton – O juiz da 1ª Vara do Fórum de Erechim

Dr. Alexandre Renner acolheu

o nosso pedido dia 19.

 

Ody – Por que chegou nessa situação?

Botton – Dada à situação econômica

e política do país

houve reflexos com adiamentos

de pedidos feitos por clientes

para novos contratos,

para novos investimentos.

Os bancos também estão retraídos

e não liberam recursos

que seriam importantes para manter

o capital de giro.

 

Ody – Tem algum exemplo de contrato adiado?

Botton – No final de 2015

 firmamos dois contratos

de valores expressivos com clientes.

Um deles foi sustado pelo cliente

no dia 6 de maio.

 

Ody – Pode falar em valores ou números?

Botton – Os contratos representariam

cerca de 50% do faturamento anual

da empresa para 2016.

 

Ody – São clientes de onde?

Botton – Um nacional e outro da Bolívia.

 

Ody – Qual é a dívida da empresa?

Botton – São R$ 160 milhões

para fornecedores, bancos e salários,

mais R$ 23 milhões tributários.

 

Ody – Há quanto tempo

os funcionários estão sem receber?

Botton – Os atrasos são em média

de dois meses.

Nós estamos compondo,

fazendo pagamentos mensais.

A cada mês pagamos o que venceu

em média há dois meses.

 

Ody – Desde quando vem essa situação?

Botton – Há mais ou menos

nove meses.

Ninguém está deixando de receber,

mas em média,

com dois meses de atraso.

 

Ody – Quantos funcionários

foram despedidos nos últimos dias?

Botton – Em Erechim

foram 100 funcionários.

E mais 110 nas unidades

de Triunfo e Taquari.

 

Ody – De quais setores?

Botton – A maior parte

no setor administrativo em Erechim.

Já em Taquari e Triunfo

foi no setor de obras e serviços

de montagem para clientes.

 

Ody – Como esses funcionários

receberão seus salários?

Botton – São créditos inseridos

na recuperação judicial.

 

Ody – Como será feito isso?

Botton – A empresa tem um prazo de 60 dias,

a contar do protocolo do pedido de recuperação na justiça,

para apresentar um plano de pagamento

dos débitos.

Desde essa data

todos os débitos da empresa

estão sustados.

 

Ody – Salários, fornecedores…

Botton – Sim.

 

Ody – O que estará nesse plano?

Botton – A empresa vai ter de dizer

quando pode efetuar

os pagamentos dos débitos.

 

Ody – O que a empresa

faz hoje sobre este assunto?

Botton – Estamos iniciando a análise

da conjuntura para

poder apresentar um plano.

 

Ody – E depois?

Botton – O senhor juiz então

convoca uma assembléia

dos credores para aprovação

ou não do plano.

 

Ody – O que o pedido

de recuperação judicial significa

para a Intecnial?

Botton – Com essa recuperação

acolhida pela justiça

vamos adequar a estrutura administrativa

da empresa de acordo com o mercado.

Isso vai nos permitir tomar fôlego

para a sustentabilidade da empresa.

 

Ody – Como…

Botton – Buscando e gerando

novos negócios,

e até buscando fundos para pagar o passivo.

 

Ody – E a conjuntura nacional…

Botton – Estamos torcendo

para a reativação do mercado.

Isso já seria suficiente…

 

Ody – Dentro disso

podem ser recuperados

os pedidos sustados?

Botton – Existe essa possibilidade.

Um dos clientes não tem ideia

de quando pode retomar o pedido,

mas o outro estamos trabalhando

para trazê-lo de volta. É possível.

 

Ody – A empresa corre risco

de encerrar as suas atividades?

Botton – Não. A recuperação

dá mais tranqüilidade à empresa

para continuar com suas atividadese manter o nível de emprego.

 

Ody – Como está o relacionamento

com funcionários?

Botton – Estamos fazendo reuniões

com todo o nosso grupo de funcionários.

E destaco que eles mesmos

questionaram há algum tempo

a nossa estrutura. Às vezes

sugeriram até dar um passo para trás,

para depois dar dois para a frente.

 

Ody – Quantos funcionários a empresa tem?

Botton – São 1.500 funcionários.

 

Ody – Quais são os mercados mais importantes?

Botton – Indústria naval,

empreendimentos ligados ao agronegócio (óleos vegetais, biodiesel, torres eólicas)

e projetos especiais.

 

Ody – Onde?

Botton – No Brasil e no exterior.

 

Ody – Se especula muito sem confirmações

que os problemas na Intecnial

começaram quando os proprietários

se afastaram e contrataram profissionais

de fora de Erechim.

Como foi isso?

Botton – Foram duas experiências

que não deram certo

pelo que se percebeu.

Uma delas em 2007/2008 e a outra

em 2012/2013.

Os reflexos ainda se dão.

Nas duas vezes se recorreu

à prata da casa.

 

Ody – Quem é o dirigente máximo

da empresa hoje,

e qual o seu papel.

Botton – O superintendente da empresa

é Airton Folador.

Eu sou assessor jurídico.

Inclusive só estou falando

por que o Airton está viajando

em busca de novos negócios.

 

Ody – A Intecnial tem algum valor

a receber do governo federal?

Botton – Não. Não trabalhamos

com o governo federal.

 

 

Obs: Quando chegava à última linha

do lead (abertura) da entrevista

meu telefone tocou.

Era da Empresa Jornalística Caldas Júnior

de Porto Alegre.

Fui informado que meu nome

estava em nova lista de dispensas

do Correio do Povo,

onde trabalhei por 30 anos consecutivos

(1986 – 2016).

Passei outros quatro anos e meio,

antes do Correio do Povo fechar,

em 1982 para reabrir em 1986,

trabalhando em Porto Alegre na CJCJ.

Agora sei na carne o que passou

o colega Edson Machado da Silva.

E também os que perdem seus empregos.

No meu caso foi pela incompetência,

pelo desastre

da política econômica

dos governos do PT.

Ou seria mais justo – desgovernos!?

Por ironia, quis o destino,

que a minha última matéria no CP

em 35 anos fosse

sobre demissões.

E por que a Caldas Júnior

sempre significou mais,

muito mais que um emprego

para o exercício da minha profissão,

é que sinto-me mais do que uma vítima

desse engodo, desse populismo nefasto

que o Partido dos Trabalhadores (?)

deixa como legado.

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