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José Adelar Ody

A realidade do Ypiranga

ypi marcio nunes (2)

 

 

 

 

 

 

O Ypiranga anunciou seu técnico

para esta temporada.

Márcio Nunes.

Um ilustre desconhecido no mundo

dos técnicos de futebol, pelo menos

no norte do Estado. Quem o conhece

é o gerente de futebol Renan Mobarack.

E por isso merece, antes de mais nada,

tempo.

Um crédito.

Mas não deixa de ser a primeira

contradição do presidente

Adilson Stankiewicz e sua direção.

Disse ele assim que eleito: o clube

não tem recursos para grandes investimentos,

mas se for preciso fazer algum esforço

nesta área será na contratação do técnico.

Não foi.

Ou talvez até esteja sendo porquanto a realidade

econômico/financeira ainda não veio

a público, mas é do domínio dos eleitos.

A verdade é que antes o Ypiranga

tentou Benhur Pereira.

Teria feito uma pedida acima

de qualquer sacrifício que o Canarinho

pode fazer hoje.

Tenho algumas convicções: o técnico

importa, mas precisa querer vir

e querer ficar.

Saber que terá de enfrentar uma

Divisão de Acesso e nem todos

que ascenderam um pouco mais

na carreira querem correr esse risco

– o risco de não alcançar o objetivo

justamente no único campeonato

onde podem traçar uma meta

mais realista de conquista.

Permanecer na Série A não é lá um título,

um objetivo de expressão,

uma faixa,

pelo menos contrapondo ao que alguns pedem.

Outra convicção: técnico nem sempre

faz a diferença.

Pense em um nome mais experiente

e responda.

É garantia de subir?

Com esse mesmo que o leitor pensou

– o Ypiranga volta? É certo que volta?

Ah, mas tem o caso do Carlos Moraes

que agora, na cabeça de alguns,

repete-se com Márcio Nunes.

Penso que não. Moraes é adepto de um modelo

de futebol muito apreciável,

mas em um Gauchão ou Divisão de Acesso

de difícil praticidade ao que

diz respeito quanto a resultados.

Ele gosta de posse de bola,

bola no chão, triangulações,

infiltrações com bola dominada…

Perfeito. Lindo.

Mas em disputas gaudérias é de difícil

colheita de resultados.

Por quê?

Por que não há jogadores para implantar

esse modelo e as competições

falam outra língua quanto

à prática assim que a bola começa a rolar.

Ademais – exige algo que os clubes

não dão por pressão da torcida

e da imprensa: tempo.

Pelo pouco que saiu sobre Márcio Nunes

os indicativos são opostos.

Força, velocidade, entrechoque…

Há jogadores para esse modelo? Há.

Mais que para o toc, toc, toc.

E se a isso acrescentarmos liderança, linguagem do boleiro,

inconformismo diante da derrota,

consciência que o ônibus

não está rumando para a Arena,

mas para as Castanheiras,

para o Vermelhão da Serra,

para a Boca do Lobo e,

acrescentarmos ainda a perspectiva real de subir

na carreira e, de poder sonhar com uma vaga

e até em ser campeão,

ora, por que não um nome

que aparentemente precisa provar

ainda quase tudo, e quer

se não escolheria outra profissão,

que tem a confiança e afinidade

com a gerência de futebol e,

por principal,

que cabe no orçamento

do clube, então que assim seja.

Levir não é um grande técnico?

Cuca não é um excelente técnico?

Wanderlei não é multicampeão?

Então – por que foram dispensados?

Por que não fizeram a diferença?

Por que não ganharam

pelo que ganhavam que não sei quanto,

mas bem mais que o Ypiranga

pode pagar…!?

Não vou jogar pedras.

Vou aguardar para ver.

Mas de uma coisa tenho a mais

plena certeza: Márcio Nunes veio, principalmente,

porque seu contracheque será quitado

sempre no dia 30 de cada mês

ou 5 do mês seguinte.

E claro – porque tem indicativos

de identidade com o perfil estipulado por Mobarack.

Se o nome do novo técnico

do Ypiranga surpreende,

de outra sorte desnuda a dura

realidade do Ypiranga FC.

Os inconformados que se reciclem.

Agora o Ypiranga já pode sair em busca

de uma liderança técnica que comande

o time e de uma liderança de voz

dentro do gramado.

E mais uns 10 a 15 atletas que

escolheram a profissão de jogador de futebol

mesmo que o início seja numa

Divisão de Acesso.

Se com isso puderem receber em dia,

comer bem e morar bem,

o resto o tempo se encarrega.

É só baixar a cabeça e suar sangue e suor.

Como sempre foi na vidados vitoriosos.

Simples assim.

 

 

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