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José Adelar Ody

Rejeição de titulação coloca Câmara nos Anais da Casa

O presidente da Câmara de Vereadores de Erechim,

Rafael Ayub, se quiser, já tem uma tarefa bem clara

neste início de gestão:

em nome do Legislativo pedir desculpas à ex-governadora

do Estado, Yeda Crusius e ao juiz Antônio Carlos Ribeiro.

Sim porque, aos dois, foram apresentados projetos de

decreto legislativo, concedendo-lhes o Título de Cidadão Erechinense,

mas em ambos os casos os vereadores

decidiram

pela rejeição,

não alcançando

a votação mínima necessária.

Trata-se de uma descortesia

sem precedentes, muito provavelmente na história

do município.

O pior é o que denota estar por trás das decisões.

Pode não ser, mas no caso da ex-governadora Yeda,

as desconfianças motivacionais à decisão

não são descabidas: claramente uma decisão

de ordem política. Votaram pela rejeição de concessão

do título à ex-governadora, nove vereadores,

exatamente

o mesmo número de edis que sistematicamente

se evidencia e pronuncia em bloco, como que

em obediência a ordens superiores ou à reserva

de postura não importando a alma do projeto.

Mas não sejamos ingênuos.

Nas grandes questões

as vontades parlamentares,

mesmo quando heterogêneas,

vêm cumuladas em blocos de interesse.

Em política é assim mesmo.

Aqui ou alhures.

Agora – em se tratando de concessão de titulação,

é civilizado conjecturar que a matéria devia

permitir um posicionamento mais pessoal a cada votante.

Se até em matérias desta natureza os blocos resistem,

então não teremos mais homenageados em

Campo Pequeno,

e na queda de braço entre situação e oposição,

o conjunto da obra cheira a desaforo.

Ademais, a concessão de

uma titulação se é de iniciativa de um vereador

e a concessão material do Legislativo,

embora aparente paradoxo;

o ato significa o desígnio de uma

comunidade inteira.

Por isso mesmo o nome que se dá às titulações:

“Cidadão Erechinense ou

Cidadão Benemérito de Erechim…”.

Está na hora dos senhores vereadores,

com seus partidos,

com suas diferenças e convicções, sentarem-se à mesma

mesa e dirimirem esta discrepância que deixa a todos

no altar da estupidez.

Quem, neste momento,

gostaria de ser “alvo” para receber um título em nossa cidade!?

É muito claro que os equívocos históricos contidos

nas recentes decisões domésticas não estão nas

pessoas indicadas para serem homenageadas

e não o foram.

Alvo de uma singela, educada e reconhecida

homenagem,

como devem se prestar solenidades desta ordem;

os indicados foram submetidos

a constrangimento inimaginável,

graças a desencontros miúdos intramuros

na Casa do Povo.

A ferida aberta tem sua localização

no tecido Legislativo,

porém sua origem brota de decrépitas

e fétidas diferenças,

de caráter odioso,

claramente embalado

por um despreparo descomunal à coisa pública.

Nunca mais um indicado à homenagem,

na nossa atrasada,

e provinciana Erechim,

deve ser submetido à decisão

de última hora,

onde interesses mesquinhos

podem se agigantar e enveredar na contramão

da serenidade,

da concórdia, do bom senso e da civilidade.

Não se ausculta aqui o mérito dos lembrados,

que por certo os têm de sobra,

independente de opiniões contrárias,

porquanto estas,

na maioria das vezes,

viram concretude graças a sopros traiçoeiros

que na próxima esquina do tempo, e da temperança,

se dissipam.

Resta-se como equívoco mal pensado em eterna

consciência pesada.

Um fardo moral e socialmente condenatório.

Não imagino como reagiriam os pretensos homenageados

com um pedido de desculpas.

Nem sei como se consertaria tamanho equívoco,

se é que isso pode ser consertado.

Talvez, os vereadores Renan Soccol,

que sugeriu a titulação à ex-governadora Yeda Crusius,

e o vereador Rafael Ayub que sugeriu

homenagem idêntica

ao juiz Antônio Carlos Ribeiro,

possam,

se já não o fizeram,

explicar o inexplicável aos homenageados

rejeitados

pelo Legislativo Erechinense.

Recorro aos tempos em que os debates acalorados

faziam subir a temperatura entre arenistas

e emedebistas no plenário erechinense.

Mais tarde, com a pulverização partidária,

o plenário do Legislativo de Erechim continuou

abrigando as mais diferentes manifestações ideológicas,

porém,

jamais soube que desceram e cederam tanto

às diferenças,

aos interesses, à ignorância e à ignomínia,

pelo menos

em matéria desta ordem.

É preciso construir um caminho que não leve

mais ninguém,

de pessoa a instituição de poder,

a ser submetido a semelhante constrangimento.

E neste sentido a proposta da vereadora

Sandra Picoli, de acabar com o voto secreto,

pode ser uma boa opção.

E, por fim, sem querer aproveitar

da condução e desfecho

lastimável de ambos os casos,

mas trazendo à cena contemporânea de como

a sociedade vê a política

e os políticos num corte geral,

os dois eventos domésticos

surgem como contribuição quase sem

concorrência e surreal

à crescente aversão para com quem devia zelar

pelo exemplo da coisa pública bem encaminhada.

2017 ficará na história da Colenda.

como se dizia antigamente,

quando o Legislativo era uma

Casa de debates ferrenhos,

mas de respeito próprio.

A nódoa,

esta já está incrustada para

todo o sempre,

nos Anais da Câmara Municipal de Vereadores

de Erechim.

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