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José Adelar Ody

Tiririca Kennedy

Beleza.

A imprensa brasileira em boa parte desdenhou

do discurso do deputado Tiririca.

Analistas políticos, fizeram do deputado uma cama.

Ah, mas ele é a personificação dos políticos!

Em sete anos foi seu primeiro pronunciamento.

É verdade.

Grandes pronunciamentos foram os que colocaram

Aécio nas ruas.

Discursos que mudaram o Brasil foram os que

pediram mais dinheiro para o Fundo Partidário.

Discursos exemplares foram os que cassaram

Dilma e livraram Temer.

Manifestações gloriosas e mitológicas são as que colocam o governo contra

a parede e impõem mais, mais e mais dinheiro

para emendas.

Estes sim são magníficos exemplos de como se fala

em prol do Brasil.

Isto sem contar os discursos paroquiais, aqueles que

visam uma pessoa,

uma instituição, uma cidade… feitos com o único fito

de ficar de bem

e faturar prestígio domésticos e votos na próxima,

e na próxima e na outra e na eleição…!

Tiririca é claro que errou ao ausentar-se do microfone do Parlamento.

No entanto, quem fez uso do mesmo expediente a dizer chega! –

que contribuição deu à Nação!?

Subir à tribuna e defender supostos corruptos é que

é diferente.

Subir à tribuna e defender interesses pessoais é que

é legal.

Subir à tribuna e fazer apologia ao seu partido é que

é um ensinamento de consciência política, isto é bonito.

Lindo é ouvir Lula dizer que a Lava Jato é que tem

culpa pelas mazelas do Rio de Janeiro.

Isso não é apenas lindo.

É uma manifestação de profunda reflexão filosófica e análise sociológica sem precedentes.

Certamente, não é nem de perto, coisa de palhaço.

Tiririca falou uma única vez.

Errou.

Devia ter pregado por sete anos a fio.

Ainda mais quando a alma da sua manifestação órfã

– pediu,

vestida de uma humildade que só um “palhaço”

sabe e pode ter -,

pois pediu, implorou aos seus pares que

olhassem mais para o Brasil

e para o povo com suas mazelas.

Analistas proeminentes gozaram.

As redes sociais tripudiaram.

Agora, quando Johnn Kennedy diz quase a mesma coisa

(sem comparação entre as figuras,

os pesos a inteligência e história de ambos),

aí é vira até frase

de… pensador.

Disse sua excelência norte-americana certa feita:

“Não pergunte o que o seu país pode fazer por você.

Pergunte o que você pode fazer pelo seu país”.

Até hoje a imprensa mundial ajoelha-se diante

desta manifestação – e o faz bem.

Mas quando Tiririca implora,

dizendo-se envergonhado

e que por isso estaria deixando o Congresso

Nacional,

implora, como disse,

que seus pares olhem pelo Brasil

– que no fim dá quase no mesmo o que Kennedy

disse,

considerando que os parlamentares

seriam os representantes

do povo,

logo a voz deste -;

pois aí,

cobrem-no feitas línguas de trapo,

com o ofício do qual nunca se envergonhou.

Não se propugna aqui uma defesa de que

Tiririca é o modelo de homem público

do qual o Brasil necessita.

Faz-se apenas uma constatação sobre o que ele disse,

o que outros dizem

e o que outro, o Grande Kennedy, disse.

Olhando para as exigências de boa parte de parlamentares

para votar a reforma da Previdência,

que de resto seria uma medida necessária ao futuro

da Nação, segundo afianciam;

pois olhando-se para isso e para a estreia e despedida

de Tiririca no microfone da Câmara,

só resta concluir uma coisa: palhaça mesmo

é a sociedade.

Todos nós!

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