a rádio web da cidade

AO VIVO
Baixe já seu app
PUBLICIDADE

Segurança

Publicidade

EXCLUSIVO: casos de estupro em Erechim são mais graves que do RJ, diz delegada

Em entrevista exclusiva à Rádio e Jornal Atmosfera, Diana Zanatta, responsável pela Delegacia da Mulher de Erechim, fala sobre violência contra a mulher e comenta o estupro coletivo sofrido por uma menina no Rio de Janeiro no final de maio. Segundo ela, os dados de Erechim são tão, ou mais assustadores que o crime carioca

Por: Isadora Guazelli
Fotos: Divulgação
Delegada Diana_Crédito_Fernanda Breda

A Delegada de Polícia, Diana Zanatta, responsável pela Delegacia da Mulher de Erechim, falou com exclusividade à Rádio e Jornal Atmosfera para falar sobre violência contra a mulher. Comentou o estupro coletivo sofrido por uma menina no Rio de Janeiro, que ganhou grande repercussão no País, e também explicou a atuação da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher.

“Embora os casos de estupro não venham a público diariamente, até porque são casos de segredo de justiça, já aconteceram e acontecem casos em Erechim até piores do que este caso do Rio de Janeiro. Neste caso do Rio de Janeiro o que impacto foi o número de sujeitos que podem possivelmente ter vitimado aquela adolescente. Já tivemos vários casos em Erechim de um nível de gravidade até maior se for considerar as consequências, estupros seguido de morte, estupro seguidos de lesões gravíssimas nas regiões mais diversas do corpo das vítimas e são casos que nos preocupam e que acontecem inclusive aqui em Erechim. Este caso em específico do Rio se deve porque foi divulgado nas redes sociais. Vídeos foram parar na internet. Muitas vezes as pessoas não tem a noção de que a divulgação destes materiais também é crime”, explica a delegada.

Segundo a delegada, ao longo dos últimos anos, principalmente após a Lei Maria da Penha, várias campanhas e divulgação, através de movimentos muito fortes no sentido de evitar o preconceito e ações discriminatórias contra a mulher. “A mulher está bastante empoderada, mas mesmo assim os índices de violência não só aqui, mas no país inteiro não tem cessado. É um problema cultural e às vezes a ideia da mulher como um objeto ou até de propriedade de um homem, ainda se percebe presente hoje. A ideia de que uma mulher está com pouca roupa e está pedindo para ser estuprada não é a mesma ideia se fosse um homem. Ninguém olha para um homem de shortinho na rua e pensa: “mas também está pedindo para ser estuprado”. Isto sem dúvida é uma cultura machista.

Em Erechim a grande maioria dos casos, de acordo com a Delegada, o autor do crime é identificado, mas ainda existem situações em que ainda não se tem descoberto a autoria. “Infelizmente a muitos casos nas famílias. Inclusive casos bem graves. Também não se dá para generalizar, há situações de denúncias de casos de estupro cometidos entre familiares que na verdade não tem nada de estupro e que tinham motivações bem escusas por trás da denúncia, que já tivemos casos assim. Por outro lado há casos de estupros bem severos, de familiares, pais, padrastos que estupram as próprias filhas e enteadas, e o que me choca mais é o acobertamento da própria família desses casos. Já tivemos vários casos com a seguinte situação: verificou-se que efetivamente o pai estuprou ou abusou efetivamente da menina, e quando digo estupro não falo necessariamente na relação anal, vaginal, mas de outros atos libidinosos diversos, inclusive a preferência dos autores desses crimes é por esses outros atos libidinosos diversos ( justamente para não deixar vestígio). Mas o que a gente vê é que depois de denunciado o caso, que geralmente não é pela família, quando chega ao conhecimento da justiça muitas vezes essas mulheres, esposas e filhas vítimas, acabam negando estes fatos por ocasião do processo em juízo por algum motivo. Que receberam dinheiro ou por que estão sendo ameaçadas, ou porque a mulher já retomou o relacionamento com o marido e não quer que ele vá preso”, revela Diana.

“Se uma mulher perceber que está em uma relação patológica, de dependência desse agressor e que muitas vezes também é financeira, além da psicológica. Isso já ajuda em uma possível melhora. Não basta apenas punir o agressor, porque se esta vítima não conseguir enxergar esta situação e vir a se separar, possivelmente ela venha a procurar um futuro relacionamento muito parecido com o anterior. E nem sempre o atendimento psicológico disponível, é recebido de uma forma positiva pela vítima, pois ela não se enxerga fazendo parte desta patologia”, disse a delegada.

Violência contra a mulher em Erechim

Em 2016 entre janeiro e maio, foram registrados 1192 casos de violência contra a mulher em Erechim. Este número inclui todos os casos que envolva a mulher vítima de violência, desde que esta atribuição seja da Delegacia da Mulher, já que existem outros casos que não vão para lá.

Já no ano de 2015, de janeiro a dezembro, foram registrados 2236 casos. Em 2014, 2508 casos, em 2013 foram o 2210 casos. Se comparados os dados ano a ano, se pode dizer que estes casos estão vindo em uma linha decrescente, com uma pequena queda. Mas se pensar que Erechim já foi campeã no Estado, em números de registros nos anos de 2010 e 2011 de vítimas mulheres, comparando números por habitante.

Delegacia da Mulher

“Cada plantão que eu e meus colegas nos revezamos temos tido noites longas de muito trabalho, com fatos muito graves a serem analisados. A mulher que passa por alguma situação criminosa, em primeiro lugar ela deve se dirigir a uma delegacia de polícia, a DPPA local, que funciona no mesmo prédio da Delegacia da Mulher e que fica aberto 24 horas aqui na região. Em caso de estupro, a vítima é encaminhada ao hospital e lá ela recebe todo o tratamento profilático e encaminhamento médico necessário. Então aí se faz o boletim de ocorrência, e se necessário já é feito na hora o encaminhamento de medida protetiva, já que em muitos casos não se pode esperar até o outro dia, assim o pedido para o juiz acontecerá de forma mais rápida. Na delegacia da mulher, a vítima de estupro terá atendimento psicológico, que é uma parceria da Polícia Cívil com o curso de psicologia da Universidade Regional Integrada (URI) e então o inquérito é instaurado na Delegacia da Mulher e serão tomadas as providências de polícia e judiciária”, conclui a delegada.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE