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Religião

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10 foram curados – apenas 1 voltou para agradecer!

Tudo é mérito ou tudo é graça?

Por: Pe. Maicon A. Malacarne
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O Evangelho de hoje (Lc 17,11-19), fala de Jesus no seu caminho rumo a Jerusalém, passando pela Samaria. Jesus é um peregrino e faz desse caminho uma pedagogia, uma mística, uma profecia que o levará a Cruz e a Ressurreição. Nesse momento da caminhada, 10 leprosos se aproximaram e pediram para serem curados.

Não fazemos ideia do que significava, na época, ser leproso – excluído, marginalizado, debochado, tendo que abandonar até suas famílias. Segundo a lei da pureza, os leprosos deviam andar nas ruas com roupa rasgada e cabelos desarrumados, gritando: “Impuro! Impuro!” (Lv 13,45-46) para que todos fossem se afastando deles. Muitos judeus entendiam que isso era um castigo de Deus.

Não ter lepra era mérito ou graça? O fato é que Jesus pede para os leprosos se colocarem a caminho do Sacerdote de Jerusalém. Era ele quem deveria dar o “veredito” da cura. Os leprosos foram ainda cheios de lepra. Acreditaram na possibilidade da cura antes de serem curados. O Evangelho conta que no caminho todos ficaram bons e apenas um deles voltou para agradecer a Jesus. Esse que voltou era Samaritano – estrangeiro, desdenhado pela cultura e religião judaica.

De onde vem aquilo que carregamos conosco? É Deus quem nos dá as doenças? É Deus que quer o mal das pessoas ou são as condições histórico-sociais e opções que a humanidade faz? A cultura judaica acreditava que tudo era mérito – “se eu tenho é porque Deus me deu. Se eu não tenho é porque Deus me castigou. Se sou rico, sou agraciado por Deus, se sou miserável é porque Deus me castigou por algum motivo”.

Nesse ambiente, não cabe a necessidade de agradecer a nada, porque tudo é “eu e meu mérito”. Jesus bateu e enfrentou essa consciência. Em Deus não há lugar para desgraça, não há lugar para castigo – senão amor e perdão! O samaritano, que de alguma forma não tinha essa consciência de mérito, conseguiu ter a atitude de voltar sozinho e agradecer.

Tudo é graça de Deus! Da nossa parte, cabe um coração agradecido. Não podemos perder a consciência da gratuidade. Deus não quer dinheiro, não quer nada… Ele faz porque ama. Ser ranzinza e mal agradecido é ir junto com os 9 leprosos que, mesmo experimentando a força de Deus, não tem capacidade de viver uma vida mais sóbria e agradecida. Mesmo em meio aos tumultos da nossa caminhada, sofrimentos diários, não perder a capacidade de agradecer. Tudo é graça. Tudo é graça…

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