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A Eucaristia é revolucionária!

A Eucaristia é revolucionária!
Quinta-Feira Santa
Revolução é uma palavra perigosa. A Eucaristia também é “tornar-se perigo”. Revolução é uma expressão que pode trazer à tona ideologias, partidos políticos, etc…Temos medo de usá-la. Em poucas palavras, com perigo de ser raso, revolução é uma mudança profunda e estrutural. Para os cristãos, a Eucaristia é ou deve se tornar uma revolução.

Hoje, quinta-feira Santa, memória dos últimos momentos de Jesus, há um jantar em Jerusalém. Pouca coisa: pão e vinho. Frutos do trabalho do homem e da mulher. É a celebração da Páscoa Judaica com elementos novos. O pouco se torna muito. O pão e o vinho são abençoados e repartidos. A Eucaristia é essa revolução: Deus está conosco e partilha o que tem, sendo alimento para o cotidiano. Eucaristia é a partilha levada às últimas consequências. É, por isso, a denúncia do acúmulo, dos que guardam pão e vinho só para si e não percebem a mesa faminta do universo.

É preocupante quando a Eucaristia, instituída hoje, vira só espiritualismo. Não quero entrar em detalhes. Espiritualidade é diferente de espiritualismos, gestos infantis e que pouco nos fazem viver a fé. A Eucaristia é pura graça de Deus e sempre nos compromete. Um compromisso, também, revolucionário. Nós, comungando, nos encontramos e nos tornamos a radicalidade eucarística. Isso tudo é um caminho que deve ser feito. Não descobrimos isso do nada. A iniciação cristã, tão falada, deve levar a compreender e viver esse grande mistério de amar a Eucaristia. Comungar de Jesus é tornar-se Jesus. Comungar é, com Jesus, viver melhor comigo, meus afetos e relações, com os outros, com a criação… Comungar é abrir-se e entrar em profunda relação de amor com tudo e todos.

Dois gestos se misturam com a Eucaristia de Jesus: o lava-pés e o mandamento do amor. Ou a Eucaristia nos leva a abaixar-se e lavar os pés (servir sempre!) ou ela ainda não foi compreendida por nós. Ou a Eucaristia nos leva a radicalidade do amor (não é um pedido, é um mandamento!) ou ainda falta na nossa compreensão de fé. Por isso, a Eucaristia é revolucionária. Muda nossa estrutura. Podemos mudar o mundo, se vivermos de forma “Eucarística”.

Quando vamos ao encontro da Eucaristia, numa missa ou celebração, vamos ao encontro de Jesus e ao encontro de nós mesmos. Conhecemos a Deus e nos conhecemos. Mas isso não pode ficar guardado em nós. O compromisso da Eucaristia é o amor: pobres, doentes, feridos, machucados, tristes, famintos, sem-terra, sem-teto, presidiários, violentados, abusados, estrangeiros, perseguidos, migrantes, refugiados, nada, absolutamente nada, “escapa” ao amor da Eucaristia que deve se transformar no nosso amor diário. Isso tudo é menos intimismo e mais compromisso com a vida e com a Ressurreição que logo vamos celebrar. Eucaristia é, sempre, a revolução de ressuscitados.