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Marcelo Figueiró

Black Summer

Netflix traz visão inovadora sobre apocalipse zumbi em ótima série

 A década de cinquenta nos deu o Rock in Roll, os Anos Dourados, a construção de Brasília e também os ZUMBIS. É deste período a ideia fictícia de um mundo infestado pelos mortos vivos. A primeira obra a trabalhar o tema foi o livro “I Am Legend” (Eu sou a Lenda), de 1954 escrito por Richard Matheson. O texto foi adaptado para o filme, The Omega Man, de 1971, com Charlton Heston. Este recentemente teve uma refilmagem com Will Smith, em 2007. Mas foi o gênio, George A. Romero, que pegou a ideia de cenário apocalíptico e fez sua obra prima: “A Noite dos Mortos-Vivos” (1968). Este filme lançou todas as bases para os zumbis que conhecemos hoje. Eles são desmortos, que andam em bando, apreciam cérebros in natura e exterminaram quase toda a humanidade, numa praga biológica.

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 A multiplicação dos Zumbis

Pois foi na década atual que os Zumbis chegaram ao seu ápice. O quadrinista Robert Kirkman pegou os conceitos de Romero, sem pagar royalties, e criou o gibi Walking Dead. Este deu tão certo que gerou uma série de TV homônima, em 2010. Esta se firmou como uma das principais produções da atualidade. Na sua esteira vieram outros programas semelhantes. Entre eles podemos destacar “In The Flesh” (2013), “Z Nation” (2014), o derivado “Fear The Walking Dead” (2015), “Izombie” (2015), “Van Helsing” (2016), “Santa Clarita Diet” (2017), entre outras. Os novos Zumbis vieram se juntar a filmes como “Exterminio” (2002), “Resident Evil” (2005) “Zombieland” (2009) e “World War Z” (2013). Até a série medieval “Game of Thrones” (2011) tem zumbis congelados, para não fugir à regra. Pois agora, que o tema parecia estar chegando ao esgotamento, a Netflix nos traz uma nova visão da praga, com a série “Black Summer”. Trata-se de um programa americano, de baixo orçamento, mas com ótima qualidade de texto e interpretação.

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 Se ficar o bicho pega

Black Summer começa numa cidade suburbana dos Estados Unidos. Nela está sendo feita a evacuação de seus habitantes. Isto devido a uma praga, que se abateu transformando pessoas em Zumbis. Quando a mãe de família, Rose, vai embarcar no caminhão do exército para fugir do local, os militares descobrem que seu marido foi mordido por um dos mortos vivos. Ela acaba não conseguindo subir no veículo. Sua filha, no entanto, é carregada pelos oficiais em fuga. Seu destino seria chegar ao Estádio, o último ponto de embarque para escapar dos monstros. Agora Rose precisa correr para chegar ao Estádio para proteger a filha. Para isto terá de fazer alianças improváveis e se esforçar para não sucumbir a praga Zumbi. 

 Mortos que correm

A série da Netflix é diferente por ser mais emocional e próxima da realidade. Na concorrente, Walking Dead, são apresentados como protagonistas um policial, que parece um cavaleiro andante, uma samurai afro-descendente e um bad boy com moto e uma besta. É algo bonito, mas muito surreal. Já em Black Summer os protagonistas são uma mãe desesperada, um gordinho que precisa correr muito e uma coreana que não fala uma palavra em inglês. Eles usam muita expressão facial para demonstrarem seu medo dos bichos. Os Zumbis também são diferentes e praticamente não apresentam efeitos especiais. Na série de Kirkman aparecem lentos e bem maquiados, como nos filmes de George Romero. Em Black Summer são muito rápidos e difíceis de matar, como nos filmes Extermínio e World War Z. Eles se sobressaem apenas pelo sangue na boca e os olhos vidrados.

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 A visão do cadáver

Se destaca também a forma como a série é contada. A narrativa não é linear, mostrando o que cada um dos fugitivos vê, a cada acontecimento. Você consegue acompanhar como aconteceu a ação do ponto de vista de quem está executando e de quem está olhando de fora. É comum inclusive mostrar a visão de quem morreu, logo após de, em outra cena, se ter visto a morte acontecer. A forma do roteiro é no mínimo interessante.

 A parte boa da praga

Existem episódios muito bons, como os primeiros, em que acontece uma fuga desenfreada de todos protagonistas, do local condenado. Outro capítulo mostra um grupo de sobreviventes presos em uma lanchonete cercada de apenas dois zumbis. Um terceiro destaque vai para os episódios finais, numa cena de batalha onde não consegue se definir quem é zumbi ou humano e sobra bala perdida e mordida para os dois lados. Uma imperfeição que nunca foi vista em Walking Dead.

 Zumbis para sempre

Black Summer é uma ótima série, feita para maratonar. Ela traz sobrevida inteligente ao mundo dos zumbis. Que o gênero consiga ir adiante, mas trazendo situações e interpretações diferentes. Que não se paralise na fórmula de Romero ou Kirkman. Isto certamente levaria os monstros ao desgaste. Tenho certeza que, se for possível fazer esta diversificação, a praga dos zumbis muito ainda terá para nos divertir e prender frente a tela da TV ou do Cinema. Posso até arriscar uma aposta. Se isto for feito, este mundo apocalíptico muito ainda terá para nos mostrar.  Afinal Zumbis nunca morrem mesmo.

 Elenco, Referências e Personagens

Jaime King (Sin City, 2005) – como Rose, uma mãe que é separada de sua filha durante os primeiros e mais mortíferos dias de um apocalipse zumbi.

Justin Chu Cary (Blindspotting, 2018) – como Julius James, um criminoso que tomou a identidade de “Spears”, o nome do guarda que ele matou.

Christine Lee (Colossal, 2016)– como Ooh “Sun” Kyungsun, uma mulher coreana que está procurando por sua mãe desaparecida.

Sal Velez Jr (A Morte de George W. Bush, 2006) – como William Velez, um policial que tem uma irmã e filhos no Texas.

 

Trailer

https://youtu.be/tQA1omPJN24

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