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Tecituras Analíticas

DESPOSSUÍDOS DE SI

Karla Goldberg- Psicóloga, Psicoterapeuta de adultos, Especialista em Psicologia do Desenvolvimento, Mestre em Psicologia do Desenvolvimento (UFRGS), ex- professora da graduação e pós graduação e supervisora de estágio de clínica do curso de Psicologia da Uri (Erechim) ex- professora do pós graduação em Psicoterapia de Orientação Psicanalítica da Unochapecó e  Membro do NEPP-PF( Núcleo de Estudo em Psicoterapia Psicanalítica de Passo Fundo)

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A muito venho pensando neste cenário que estamos imersos. O lugar desse sujeito, aviltado em seu direito e em sua vida, fugindo da fome, das guerras civis, religiosas e do terror que invade e assombra. .Penso naqueles  que dentro de suas próprias comunidades, são marginalizados e até mesmo eliminados  por conta de sua crença, raça ou orientação sexual, considerados  “de segunda”, vítimas do preconceito, objeto das projeções daquilo que cada um considera abominável em si.

Refugiados, desenraizados…

E os exilados de si mesmos?

Aqueles que diante de experiências traumáticas, criam defesas alienantes que os deixam com recursos reduzidos para fazer face às demandas da vida.

E quando os sujeitos parecem destituídos de quase tudo?

Refiro-me, aos sofrimentos psíquicos, frutos das falhas precoces e que o sujeito não encontra outro modo de fazer frente às rupturas, senão que sucumbindo…adoecendo.

É dentro da díade (mãe- bebê) que é construída primordialmente a experiência de ser. Trata-se de um estado, propiciado pela mãe, que identificada a seu bebê, se adapta às suas necessidades, oferecendo-lhe a continência do holding, filtrando excitações, permitindo-lhe viver a ilusão da completude e totalidade. Trata-se de um objeto confiável, que propicia inscrições em seu infante, que aos poucos vai sentindo que tudo isso são emanados do centro de si, do seu self, sentindo que suas experiências podem ser assimiladas e vividas como próprias.

… Mas e quando há falhas da maternagem?

Quando o sentimento de “ser” se desvanece e quando rompe-se o senso de continuidade, e a desilusão, desapontamento e a criatividade encontram-se amputadas….

A conseqüência disso é a experiência de não existência.

Nestes casos a meta da experiência psicoterápica de orientação psicanalítica, fica as voltas da busca do eu (self), a via que pode levar o indivíduo a sentir-se real. O que se pretende resgatar é a capacidade de mobilidade do self, agora dentro de um espaço clínico novamente diádico, (Psicoterapeuta – Paciente), em reconciliação com a própria alteridade através do outro.

Finalizo com Kristeva (1988/1994, p.191)

“A psicanálise seria uma “viagem na estraneidade do outro em si mesma, em direção a uma ética de respeito pelo inconciliável.

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