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Maicon André Malacarne

Deus faz surpresa: no rio Paraíba se vestiu de barro – há 300 anos!

Guimarães Rosa já disse: “Deus vem vindo: ninguém não vê. Ele faz é na lei do mansinho – assim é o milagre”. Os pescadores Domingos, João e Felipe, em 1717, já tinham entendido isso. Deus fez surpresa. Apareceu de mansinho. No meio do pavor e do desânimo dos pescadores, que foram obrigados a pescar para um banquete ao novo governador da capitania de São Paulo e Minas Gerais Dom Pedro de Almeida e Portugal, Deus deu um sinal. O local foi o rio Paraíba. A pesca que vinha sendo um fracasso tornou-se abundante. A surpresa de Deus sempre traz novidade. Novidade boa. Ás vezes, demoramos tempo para entender, negamos, rejeitamos, acusamos… nossa resposta também, quase sempre, é na “lei do mansinho”.

Deus se apresentou em pedaços. Primeiro, o corpo. Depois, a cabeça. Em silêncio. Tudo de um material parecido com barro. Aproximadamente 38 centímetros. Assim Deus fez uma surpresa em São Paulo. Quebrado como a vida daquela gente escrava. Seu milagre era Maria e tinha cor escura. Talvez a maneira mais radical de Deus surpreender. A Mãe de Jesus. A Maria dos pobres e dos pescadores passou a se chamar: Nossa Senhora Aparecida.

A Imagem da surpresa foi entregue a uma mulher de nome Silvana da Rocha Alves, esposa de Domingos, irmã de Filipe e mãe de João. Foi ela quem “grudou” as partes, construiu um altar e acendeu uma vela na sua própria casa – o maior Santuário estava feito, sem concreto, sem pilares, só com fé. Essa família de pescadores começou a rezar o terço, recitar ladainhas ali na casa. Depois, chamaram vizinhos, outros moradores e outras surpresas foram aparecendo. Deus estava ali.

300 anos se foram. Deus continua fazendo surpresas. Outrora no rio Paraíba, ainda hoje, na vida, no cotidiano, em brancos e pretos com ou sem fé… Deus não faz distinção. É aquele “psiu” que muda tudo. Não é mágico. É suspiro na vida de tantos “Domingos”, de tantas “Silvanas”, de tantos que precisam “encher suas redes de peixes” para matar a fome.

Nas redes dos pescadores teve espaço para encontrar Deus. Talvez ali também mora um segredo: nas intencionalidades. Quando há espaço, há presença. Quando fechamos todos os espaços até a “lei do mansinho” pode se tornar invisível aos nossos olhos e ao nosso coração. Quem sabe a graça maior que podemos pedir a Deus, contemplando a Senhora Aparecida: que em nossa “rede” haja lugar para Ele fazer surpresas e transformar a vida!

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