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Maicon André Malacarne

Festa é coisa de Deus! Festa é coisa de juventude!

“Vou aprendendo sensibilidades que me ajudam a sair de mim

e a afastar-me das minhas certezas.

Nesse território, eu não tenho apenas sonhos. Eu sou sonhável.”

Mia Couto

“- Padre, essa juventude só quer saber de fazer festa! Esqueceram de ir à missa, de rezar…” Com muita frequência, dada minha atuação com jovens, escuto avaliações como essa. Só festa…festa e festa! É uma afirmação interessantíssima por vários motivos. Primeiro, é fantástica uma juventude que sabe festejar! Festa tem a ver com celebração! Que tem a ver com grupo! Que tem a ver com coletivo! Que tem a ver com Deus! Depois, porque há várias formas de “rezar”. Mas a mais profunda é sempre comunitária. A comunidade é o lugar, por excelência, da relação com Deus a partir de quem ali se faz comunitário. Por isso, é importante dizer, nada tem de mal fazer festa. Aliás, festejar é também uma celebração na medida em que a vida ali cantada e dançada é encontro, liberdade e respeito. Reconhecer isso é uma questão de justiça com a meninada. Nada mais lindo que um coração que se alegra em festa!

Não podemos cair no minimalismo de achar que nas festas só tem coisa ruim. Reduzi-la a sexo, a drogas, a bebida, a brigas é desconhecer a essência do encontro. Claro que essas coisas também existem. Nem tudo são “coraçõezinhos”. Porém, é importante percebermos outras possibilidades bem mais vitais. A dança, a alegria, a música, as amizades, os namoros, as afetividades são sinais de vitalidade e da dinâmica juvenil. Onde há festa, há espírito juvenil.

A experiência religiosa cristã nasce do Deus – Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Uma experiência, assim, profundamente comunitária. Essa experiência revela o amor nas relações. Deus ama profundamente o Filho e o Espírito. Esse, por sua vez, é sinal de amor do Filho a Deus e a humanidade O Espírito é o próprio amor. Amor tem a ver com vida, com festa. Ninguém faz festa sozinho. Festa é fenômeno grupal. É comunidade e, quiçá, pudesse ser, sempre, relações bonitas.

Um fato muito comum é ver a meninada ir à festa entre amigos. Por isso, esse elemento também precisa ser destacado. Festa tem a ver com amizade. Até mesmo Jesus, seguidamente, ia encontrar com os amigos lá pelos lados de Betânia com Marta, Maria e Lázaro. Todos precisamos de amigos. Amizade se configura como uma relação de partilha e liberdade. A festa, assim como outros lugares, precisa  ser brindada com o coração aberto.

Em um contexto de evidência da subjetividade, a festa também se transforma em lugar para “se mostrar”. O outro precisa “me ver”. Infelizmente, isso tem marcado relações mercadológicas. A metamorfose das meninas e dos meninos com pinturas, gel, roupas curtas, corpo à mostra, nas festas por aí, revelam a vontade de mais “parecer” do que “ser”. É a esquizofrenia de transformar a festa naquilo que ela não é. A festa é o conjunto de subjetividades.

A afirmação que iniciei essa reflexão pode ser correta. Sim, a juventude quer saber de festa. Porém, isso precisa ser percebido de maneira também positiva. Transformar algumas festas depende muito mais de ampliarmos lugares para a juventude se encontrar do que achar que ela não deve ir para esses lugares. Direito ao encontro, direito à cidade, também é uma política pública.

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