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Tecituras Analíticas

NÃO TRATAMOS PATOLOGIAS TRATAMOS TRAGÉDIAS HUMANAS

Karla Goldberg- Psicóloga, Psicoterapeuta de adultos, Especialista em Psicologia do Desenvolvimento, Mestre em Psicologia do Desenvolvimento (UFRGS), ex- professora da graduação  e pós graduação e supervisora de estágio de clínica do curso de Psicologia da URI (Erechim) e Membro do NEPP-PF( Núcleo de Estudo em Psicoterapia Psicanalítica de Passo Fundo) – [email protected]

27 de Agosto – Dia do Psicólogo

Códigos, nomenclaturas, blindagens teóricas, estratégias técnicas, filas de espera…

Como podemos entender o olhar (escuta) que é preciso ser dado para o sujeito que habita a patologia?

Como podemos não sucumbir ao propósito do homem contemporâneo em um caminho que parece endereçar ao desinvestimento do humano?

Como podemos abordar estes sujeitos embebidos em um isolamento, desamparo, indiferença, em uma identidade aprisionada?

Muitas são as inquietações que emergem! Muitas são as turbulências que nos habitam.

Parece que o propósito do olhar clínico tem em muitos casos se tornado desinvestido do humano. Escutar o outro pressupõe sobrepor à barreira da patologia e enxergar o humano que mora ali (mais ou menos). Uma busca de sentido, para além do denotado pelas palavras do paciente, do sintoma. Encontro perturbador e desconcertante, marcado com aquilo que escapa ao estabelecido com o inusitado, que nos convida ir além, mas ainda que com vistas a um mergulho em areia movediça, turva e profunda… (ainda que seja esse o propósito) necessita sobretudo  ser pautado pelo HUMANO.

Refiro-me aos gritos de pânico, as capacidades obstaculizadas, as experiências do excesso, o prazer na crueldade com os outros e consigo mesmo, as angústias que precisam ser vazadas pelo corpo, através das auto-mutilações, o terror que mora dentro que devasta e destrói a capacidade de simbolização e gera angústia de vazio, o desamparo que funda o sujeito em uma precariedade …sobreviventes que habitam certas províncias psíquicas que tem suas certidões de nascimento em histórias fictícias, carregados de inexistência. Falo do mortífero, do desesperador, dos sujeitos que sofrem dos padecimentos da alma… Falo muito além das patologias, falo das TRAGÉDIAS HUMANAS!

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