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Tecituras Analíticas

O que nos mantem juntos?

Simone Krahl, Psicóloga – Psicoterapeuta de Orientação Psicanalítica, Professora do Curso de Psicologia na URI Erechim, Especialista em Desenvolvimento Humano e em  Psicoterapia de Orientação Psicanalítica, Mestre em Psicologia e membro do GEPSI  ( Grupo de Estudos em Psicanálise de Erechim)

De acordo com Freud, o instinto de amar um objeto demanda a destreza em obtê-lo, e se uma pessoa pensar que não consegue controlar o objeto e se sentir ameaçado por ele, ela age contra ele.

Seguidamente nos deparamos com pessoas solitárias, entediadas e  amarguradas em seus relacionamentos, buscando desesperadamente algo que possa acionar ou provocar o “outro” que  outrora representava um sentido para sua vida e que agora, por razões “incompreensíveis”, não exerce mais essa função. São comuns também relatos de pessoas que, mesmo depois de fracassados anos de relacionamento, permanecem ligados um ao outro, por uma ideia de felicidade, por um devir ou promessa de um “casamento” feliz, mas que nunca se realiza. Relacionamentos, muitas vezes, permeados por agressão mutua, desentendimentos, tristeza e profunda solidão, mas eternizados pela esperança de dias melhores.

Retomando a afirmação de Freud, vamos entendendo algo que podemos situar como instintivo no ser humano, ou seja, o desejo de dominarmos uns aos outros. Algo que primitivamente já vivenciamos através da fantasia de que podemos controlar nossos pais, de que podemos eterniza-los como fontes absolutas de satisfação de nosso narcisismo. Através da destreza desses em conter nossos ímpetos, e da nossa condição de aceitação desses limites, vamos transformando o desejo de dominar na capacidade de amar, conquistar e investir no outro, com mais clareza sobre nossos próprios limites em satisfazer e ser satisfeito por alguém. Vamos descobrindo que a felicidade na verdade é uma responsabilidade individual, mas que pode ser  compartilhada e ampliada em uma relação.

A capacidade de amar é muito mais desafiadora do que o desejo de dominar, exige maturidade e responsabilidade, mas ao mesmo tempo, a capacidade de amar é a única que nos dá a certeza que jamais estaremos só.

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