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Os discípulos de Emaús, o facebook, o whatsapp, o snapchat…

Esse domingo as comunidades católicas vão ouvir e refletir sobre o texto dos discípulos de Emaús (Lc 24). Para mim, é um dos textos bíblicos mais profundos em pedagogia e método. Fala amplamente de processos de educação na fé. Nada imposto. Tudo é diálogo. Jesus caminha com os dois que “fogem” de Jerusalém porque estão desanimados com a morte do Mestre. Eles não reconhecem que é Jesus. O Ressuscitado tem outro rosto? Sua fisionomia pode ser reconhecida em outros rostos? Eles vão perceber que é Jesus depois de caminhar alguns quilômetros, pedir pra Jesus “ficar com eles” e partilhar a comida. Aí sim, processo feito, Jesus passou a ter lugar no coração.

Queria, diante da grandeza, destacar apenas um detalhe do texto: não há como se tornar seguidor de Jesus (amá-Lo) sem estar com Ele, conversar com Ele, caminhar com Ele. Podemos saber tudo: rezar o terço, todas as orações, ir em todas as missas, ler a Bíblia todos os dias, assistir a Rede Vida, Canção Nova, Aparecida, Padre Robson, Padre Marcelo (etc, etc…), mas, o principal é: estar perto de Jesus! Se tudo isso ajuda a aproximar de Jesus, continuemos! Se não, é preciso descobrir quais os caminhos…

É o tempo da tecnologia. Podemos falar com alguém de qualquer canto do mundo a hora que quisermos. Basta uma conexão. Como pensar uma caminhada com Deus em tempos de facebook, de whats, de snap, e tantas outras ferramentas de diálogo? Que maravilha é essa tecnologia. Pode nos aproximar. À medida que vamos nos aproximando, partilhando, conversando a partir de imagens, dos vídeos, dos bate-papos, vamos também fazendo experiências sagradas. É Deus que se aproxima quando vivemos próximos.

Por outro lado, há um perigo: banalizar os encontros! A tecnologia tem limite. Não afeta todos os sentidos. O encontro, sim. A conversa face-a-face, sim. Nada tira a beleza de um chimarrão com os amigos/família no final de tarde. Parece cômico, mas, imaginemos Jesus caminhando com os discípulos e conversando pelo whats com eles, fazendo foto pro Snap… ué, qual problema? Nenhum. Problema é tornar o encontro relativo e a tecnologia absoluta. Não podemos cair na tentação de demonizar e divinizar. Se a conversa ajuda, aproveitemos! Se a foto ajuda, aproveitemos!

De tudo, a certeza: para estar com Jesus, aprender com Ele e reconhece-Lo, é preciso muita estrada, muito caminho, muita poeira, muito processo, muita escuta, muita partilha… Aproveitemos os recursos que temos!