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Maicon André Malacarne

(Re) Abastecer-se de Deus!

A imagem de um posto de gasolina é interessante. Quando o carro está sem combustível, você se aproxima, abastece e volta a andar. O “não andar” pode ter outros problemas mecânicos, mas o líquido de combustão é essencial. Sem ele não se anda.

Há momentos da vida que são necessários “abastecimentos”. Abastecer-se de família é urgente. Abastecer-se de amizades é essencial. Abastecer-se de projeto de vida significa pensar a felicidade. Abastecer-se de memórias que dão sentido para o caminho. Abastecer-se de amores, de afetos, de humanidade. Tenho impressão que o critério para pensarmos em “abastecer” é o quanto técnica anda ficando a vida. Quanto mais nos tornamos máquinas, mais desumanizamos e precisamos de “combustível”. Parece um paradoxo. O combustível de Deus é para “desmaquinar” a humanidade que não é máquina.

Nessa esfera também está a fé. Deus não é algo “dado”. Não é uma “coisa” parada, inerte. Nossa relação com Deus precisa de abastecimento e re-abastecimento. Se deixamos gastar tudo, não cuidamos dessa relação, podemos nos ver parados e sem entender. Cuidar disso é cotidiano. Para alguns, o combustível precisa ser diário (pra mim, inclusive!), para outros a ida ao “posto” pode ser num outro ritmo de dias, de anos, de décadas. Cada um tem seu caminho. Uns “re-abastecem” na missa, outros na oração pessoal, numa Igreja, num texto bíblico, num encontro com alguém, num mantra, numa trilha ecológica, abraçando uma árvore, em um retiro espiritual…

Precisamos escolher o melhor local. Nem sempre ele é o “mais gostoso”. Ás vezes, nos provoca, nos desacomoda, nos cansa, mas é vital. É uma espécie de luz e fonte. Ajuda a dar sentido. Diria que, para os que tem fé, isso é inevitável. Ou buscamos “combustível” ou podemos acabar parados na margem da vida, margem de nós mesmos.

Deus sempre está próximo. Nós que distanciamos. Buscamos caminhos paralelos para não ficar “frente à frente”. Ele é invisível, mas pode ser sentido, percebido nos sinais que deixa. “Abastecer” também é descobrir onde Deus mora, como estou sensível a presença Dele. Quando damo-nos conta disso, caminhamos melhor.

(Re) Abastecer-se de Deus nem sempre é fácil como por gasolina no carro. Talvez não seja no primeiro posto. Nem no segundo. Talvez seja no último. Talvez o “posto” seja uma pessoa, um lugar, uma “Betânia”. O que é certo é que precisamos procurar e isso fará toda diferença. Vamos entender, claro, que no caminho de procura também nos sentimos “abastecidos”. Porque Deus também é caminho e caminhada.

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