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Tecituras Analíticas

“Ser” criança na atualidade

Dirlene Baruffi –  Psicóloga, Psicoterapeuta de crianças, adolescentes e adultos. Especialista em Educação Especial. Especialista em Psicoterapia de Orientação Analítica (CELG-UFRGS). Membro do NEPP –PF (Núcleo de Estudos em Psicoterapia Psicanalítica de Passo Fundo).

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A infância é o período correspondente à faixa etária que vai desde o nascimento até a puberdade, fase de transição para a vida adulta.

Atualmente, por mudanças culturais, percebe-se um empobrecimento da vivência ”ser criança”. As exigências da vida moderna, a que todos estamos submetidos, expõem as crianças, fazendo com que respondam cada vez mais cedo a vários estímulos, da mesma forma que os adultos. O convívio com os familiares, a liberdade para brincar, as invenções sem compromisso, a criatividade, são substituídos pela televisão, brinquedos eletrônicos, celulares, pelas creches, pelos objetos de consumo e muitas atividades que estão a serviço de preencher os vazios. Essa é uma realidade dura, que não podemos fugir. Então:  como preservar a essência de “ser criança” diante de tanta pressão?

Precisamos lembrar que a criança é um ser em formação e que através do brincar livre vai aprender a representar seus sentimentos, desejos e necessidades. É através de brincadeiras que imitam os adultos: ” papai, mamãe.“Através do seu espaço, das suas fantasias, do seu mundo é   que as crianças ganham vida psíquica e a enriquecem. Porém quando o real invade este espaço há um empobrecimento psíquico.

Este é um dos problemas centrais da relação entre pais e filhos hoje: tratá-los como crianças que são.

A aproximação emocional enriqueceu a relação entre as gerações, porém hoje, as diferenças entre crianças e adultos ficam obscuras, indistintas, mas esta diferença é fundamental para a organização psíquica da criança. A criança tem que poder reconhecer as diferenças em relação ao adulto, para mais tarde, respeitar seus iguais e compreender seu lugar no mundo. É assim que se constitui a instauração interna da lei, tema tão polêmico hoje, já que respeitar a lei não se resume aobedecer a regras, mas compreender que não se pode tudo, que existe um outro que pensa e sente por ele mesmo; é poder sentir a falta sem que isso gere atos para ignorar essa mesma falta.

A assimilação desses aspectos tão essenciais para o convívio humano se faz na infância, através da capacidade de representar e expressar sentimentos e conflitos e ainda mais, da possibilidade de ser escutado e compreendido por um adulto. Os pais, escolas, nós profissionais da saúde e todos os envolvidos no desenvolvimento infantil, precisam estar atentos, para agirem preventivamente, auxiliando o desenvolvimento das capacidades psíquicas.

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