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Maicon André Malacarne

Um elogio aos desconhecidos que constroem a história!

A conjuntura política é nojenta. Não digo isso para criar ainda mais aversão a esse universo porque acredito que a mudança virá através de uma reflexão política madura que supere apenas polaridades. É, sim, nojento e grotesco ver os homens da política (na sua imensa maioria) sendo manchetes de todos os jornais, de todos os programas, com suas fotos de gravata e punho fechado invadindo nosso cotidiano. Os historiadores, já está sendo dito, terão que ter muita habilidade para narrar esse tempo.
Graças a Deus, eu fui aprendendo que a história mais importante acontece em outros lugares. De maneira especial, nas margens. Claro, elas nem sempre são escritas e, talvez, serão esquecidas. Mas a verdadeira caminhada histórica do Brasil não acontece em Brasília, por mais que os meios de comunicação insistam em nos fazer acreditar. É como dizer que o Brasil foi “descoberto” em 1500, desconsiderando tudo que já acontecia aqui, “nas margens de Portugal”.

Para além do Michel, há muitos, muitos “michéis” agricultores, professores, pedreiros, que estão com as mãos machucadas de tanto trabalhar dignamente; para além dos triplex, há muitos, muitos lares que sabem viver em paz; para além das ligações fraudulentas, subornos, roubos, compras de silêncio, há solidariedade de comunidades que se organizam para ajudar alguém que teve a casa totalmente queimada, há famílias que ajudam a “tirar leite das vacas, plantar, colher” para o vizinho que está internado há um mês no hospital. Do outro lado dos grampos telefônicos, há muitos, muitos abraços verdadeiros de pessoas que realmente se gostam, de beijos apaixonados, de casamentos, de novas famílias sendo construídas… Isso, talvez, nunca será registrado, ou mesmo contado… Mas, claro, a história acontece aqui. E essa história dos desconhecidos é muito mais importante. Apenas essa história poderá “derrubar” a “história” de Brasilia.

Nossa capacidade de ter esperança no cenário atual, para além da fé, é a sensibilidade com a história dos “desconhecidos”. Se ficarmos com os olhos fincados no poder de Brasília, capaz de desacreditarmos de tudo. A alternativa é perceber que nas margens há “Josés” e “Marias” que vão gestando esperança. Uma salva de palmas a esses que nunca apareceram na televisão, nunca tiveram suas fotos nos jornais!

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