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Maicon André Malacarne

Uma longa Sexta-Feira Santa para o Brasil

“A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida,

que eu já tô ficando craque em ressurreição.”

Elisa Lucinda

 Cristãos ou não unidos nos mesmos sentimentos, estamos vivendo uma das mais longas Sextas-Feiras Santas do nosso país. Os ânimos estão acirrados. É o tempo dos impulsos raivosos que agridem quem pensa diferente. É a escuridão da política, a cruz da economia e dos pobres, e a ampla negação dos direitos conquistados. Tudo, claro, pesa mais sobre aqueles que merecem mais atenção de um Estado de Direito.

Para muitos da minha geração e das novas gerações, ver as Instituições brasileiras sendo tão faladas e executando trabalhos, é uma novidade. Nunca se assistiu tanto ou se percebeu tanto a ação dos Três Poderes – Legislativo, Executivo e Judiciário. Não que não trabalhassem, mas nunca com tanto clics e furos de reportagem. Tudo isso tem seu lado positivo. Saber como funciona a máquina é necessidade primeira para participar bem de suas esferas. Um Estado de Direito só funciona com participação.

Voltemos à Sexta-Feira Santa. Os cristãos vivem, agora, o Tempo da Páscoa. Páscoa vem do radical hebraico “Pessach” que, por sua vez, significa “a passagem”. Passagem da morte para a vida, da Cruz para a Ressurreição numa perspectiva cristã. Passagem da escravidão do Egito para a liberdade da Terra Prometida para os Judeus. Tantas Páscoas… Tantas passagens a humanidade vive nas religiões, na política, na economia, na vida cotidiana. Ora, as passagens não são algo distante de nós. Ressurreição é coisa do cotidiano. Sexta-feira Santa é coisa de hoje, ontem e amanhã. A fé e a Religião não são coisas distantes ou “de outro mundo”. Tenho sentimentos que precisamos de “páscoas”. Sinto raivas, rancores que precisam de “páscoas”. Vivo conflitos, depressões, desânimos, descréditos nas pessoas que urgentemente precisam de “páscoas”. Meu ódio contra quem pensa diferente de mim precisa de “páscoa”.

É preciso ter muita esperança de que essa longa Sexta-Feira Santa vai passar. Vai sim! No momento em que vermos sinais de Ressurreição da nossa nação ficará mais visível a necessidade da crise para a mudança. Hoje, sem ainda sinais claros, é urgente defendermos e termos clareza dos princípios e critérios fundamentais para um Estado Democrático em que todas as pessoas sejam respeitadas em sua dignidade, ou, se quiser, em sua sacralidade. Dignidade e sacralidade, ditas de maneira diferente, são sinais de “Páscoa”. Isso porque a Cruz ainda é mais pesada para os pobres, para quem perde seu trabalho, para quem precisa mudar de cidade, de comunidade para garantir o alimento na mesa da família…

Quando vermos sinais de Ressurreição, façamos um esforço para não esquecer que antecede sempre uma cruz. O que Ressuscita é o que foi Crucificado. A história não é linear, é cíclica, espiral, processual e a sombra da Cruz volta assim como a luz da Ressurreição. Cruz e Ressurreição – Sextas-Feiras Santas e Domingos de Páscoa são nosso cotidiano, são nossas relações, somos eu e você. Deus nos conduza a um bom e novo Domingo de Páscoa para nosso país! Insistentemente acreditamos.

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