- Atmosfera On.line - https://atmosferaonline.com.br -

Convivências e perfumes: segunda-feira santa!

Estamos na Semana Santa. Para quem tem fé, não é uma semana qualquer. Hoje, meditando a Palavra, rezo duas características: a arte da convivência e o simbolismo do perfume. O Evangelho das comunidades de João (12,1-11) mostra Jesus em Betânia. Gosto muito desse lugar, porque revela coisas fantásticas de Jesus. Em Betânia moravam três amigos dEle: Marta, Maria e Lázaro. Nesse relato, alguns discípulos estavam também lá, dentre eles, Judas. Na noite, enquanto preparavam a janta, Maria pegou um vidro de perfume de nardo, caríssimo, e ungiu os pés de Jesus. Enxugou com os cabelos. Judas reclamou e afirmou ser um desperdício, que se podia “dar aos pobres”. O gesto faz alusão a morte de Jesus. Quem morria crucificado não podia ter seu corpo tirado da cruz, por isso, não havia unção e nem túmulo. Virava alimento das aves que já aguardavam os pendurados na cruz. Maria fazendo esse gesto, antecipa aquilo que não poderia acontecer depois.

Um primeiro destaque é para a convivência de Judas e Jesus. Eles, há mais ou menos três anos, conviviam diariamente. Conversavam. Passavam tempo juntos. Maria de Betânia, por outro lado, via Jesus uma ou duas vezes por ano, quando Ele ia a Jerusalém. Podemos nos perguntar: quem estava “mais próximo” mesmo de Jesus? Quem convivia melhor com Ele? Judas tinha mais tempo, mas não amava o suficiente. Maria era puro amor. Conviver sem amar é difícil. Conseguimos experimentar amor com aqueles que diariamente estamos? Corremos o risco, por exemplo, de ir todo dia à missa, “parecer” muito próximos, mas não vivermos aquilo que Maria, que o via esporadicamente, conseguia fazer.

A casa ficou cheia do perfume (12,3). O amor nos completa integralmente. Deus “se espalha” em nós à medida que conseguimos viver seu plano tornado conhecido em Jesus e em Sua Palavra. Não há outro jeito. Ninguém fica “perfumado” pela teoria ou pela idéia, mas pela experiência cotidiana. Deixar-se perfumar por Deus é abrir-se a essa relação de profunda espiritualidade. Podemos correr o risco de, como Judas, sermos mentirosos de intenção. A mentira nos tira o “cheiro” divino, faz com que esvaímos essa relação.

Conviver e perfumar-nos integralmente do divino que habita no meio de nós. Como temos feito a experiência da convivência? Como temos cuidado/amado quem mora conosco ou está mais “próximo” de nós? Conseguimos exalar o “perfume” de Deus por todos os lugares?