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Criação de bloco independente expõe tensão entre Prefeitura e Câmara de Vereadores

O clima de tensão cercou prefeitura e câmara de vereadores tão logo iniciaram as sessões legislativas em 2019, após vereadores que dão sustentação ao governo Schmidt declararem independência. André Jucoski (PDT), Araújo (PTB), Emerson Schelski (PSDB), Eni Scandolara (Progressistas) Flávio de Barcellos (PDT), Gilson Serafini (PSD) e Renan Soccol (PSDB) optaram pela criação de um bloco independente. O grupo relatou descontentamento pela falta de diálogo entre os poderes. Entre outras alegações estão o fato de tomarem conhecimento de projetos e ações do governo municipal somente através da imprensa.

Para Renan Soccol (PSDB) que foi líder do governo no primeiro ano do mandato de Schmidt, os vereadores não são ouvidos. “Algumas sugestões que dávamos acabavam não sendo acolhidas e sequer discutidas, e tem também a questão de não valorizar os vereadores com essas ações”. Soccol relatou que desde que o governo tomou posse a dificuldade de diálogo tem sido constante. “No segundo ano essa relação se deteriorou e houve um maior afastamento, sobretudo algumas ações que chegaram ao nosso conhecimento pela imprensa ao invés do governo nos informar”.

Para Emerson Schelski (PSDB) que também participa das reuniões do denominado grupo independente, a situação é fácil de ser resolvida. No seu entendimento uma reunião do Executivo com os vereadores traria solução para as divergências. “Estou junto com o grupo e acho que o impasse se resolve com uma boa conversa nos próximos dias. Emerson cita que a situação afeta e desgasta a todos dentro do partido, mas ressalta que tem bom relacionamento com todos e tem grande parte de suas demandas atendidas.

A líder de governo, vereadora Eni Scandolara (Progressistas) diz que o grupo independente surgiu em virtude dos vereadores desejarem uma maior participação no governo municipal. “Gostaríamos de estar participando de algumas decisões, como porque muda um secretário, porque não muda. Não exigindo cargos nem querendo determinar o que o prefeito deve fazer, mas atuando de forma a dar uma resposta à sociedade daquilo que irá acontecer. Isso é uma questão de respeito”.

Eni ressalta que falta diálogo, entendimento e participação entre vereadores de situação e Executivo. “Quando chegamos a um ponto que vimos que está errado o que custa sentar e conversar? Questionamos o governo sobre a falta de publicidade das ações que são realizadas porque somos cobrados na rua por coisas que já estão sendo feitas, onde está sendo investido o dinheiro e porque não é informado à população”.

Para a líder de governo a proximidade do executivo municipal com o MDB também tem sido motivo de questionamento e desconforto entre os membros do grupo independente. “Se chamassem e explicassem os motivos e as necessidades, talvez tivesse o entendimento. Nós notamos a falta de consideração com aqueles que andaram juntos e trabalharam e deveriam ser informados porque está sendo feito isso. Mas simplesmente receber a notícia gera um descontentamento” concluiu Eni.

Para Vereador e presidente do PDT, André Jucoski, existem questões importantes na cidade que precisam ser discutidas e é esta participação junto ao governo que o grupo reivindica. “Essa questão do bloco de independência não é uma briga por cargos. Isso nunca norteou o meu trabalho, mas é a questão de busca por um espaço de discussão consistente sobre problemas que os erechinenses merecem que sejam resolvidos”.

André entende que as sugestões do grupo da base do governo não foram respaldadas. “No período em que fui líder de governo já sentíamos essa dificuldade” disse o vereador.

Quanto à participação do MDB no governo, Jucoski diz que não existe adesão formal, mas que membros do partido ocupam cargos na Secretaria de Saúde e que isso tem trazido desconforto aos partidos que apoiaram Schmidt. “Esse é um problema que incomoda, falo como presidente do PDT, e nossa executiva não foi consultada sobre a troca de secretariado e temos o vice-prefeito. É esse diálogo que nós estamos reclamando há muito tempo. Estivemos juntos com o prefeito como partido para nos colocarmos à disposição e nunca fomos chamados” concluiu.

A reportagem do jornal Atmosfera buscou contato com o prefeito Luiz Francisco Schmidt mas foi informada pela assessoria de comunicação da prefeitura que não será dada declaração a respeito do assunto.