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De volta para o futuro: relembre os avanços científicos mais relevantes de 2015

O dia 21 de outubro de 2015 está sendo celebrado em todo o mundo, especialmente pelos fãs do filme De Volta para o Futuro, clássico dos anos 80. No enredo, os pesonagens MCFly e o doutor Emmet Brown fazem uma viagem no tempo: saem do ano de 1985 e chegam ao futuro, exatamente hoje, 21 de outubro de 2015, no carro Delorean. No decorrer da história se deparam com algumas “novidades do futuro”, tais como o skate voador, a identificação por biometria, carros voadores e “roupas inteligentes”.

Até aqui, nada muito novo para os fãs e internautas conectados com a cultura pop. Mas e se MCFly e o Emmet Brown de fato desembarcassem em 21 de outubro de 2015, quais seriam as descobertas e inovações do ano que iriam surpreendê-los? Com certeza descobririam que terão que olhar mais para os fenômenos astronômicos e quem sabe criar uma versão estrelar do Delorean (máquina do tempo criado no filme em um carrro de mesmo nome). Isso porque, entre os principais destaques científicos até a data, a maior parte diz respeito a descobertas fora do planeta Terra.

Relembre alguns acontecimentos científicos que marcam o ano até agora:

1) Planeta Kepler 452b poderia ser a nova Terra

Planeta primo mais velho da Terra - Kepler 452-b
Creative Commons – CC BY 3.0Planeta primo mais velho da Terra – Kepler 452-b

A missão Kepler, da Nasa, confirmou a descoberta de um planeta com características próximas à da Terra e que orbita uma estrela parecida com o Sol. O Kepler-452b está localizado em uma “zona habitável”, definição dada a áreas do espaço em volta de estrelas que têm temperatura parecida à da Terra e apresentam condições para a existência de água líquida na superfície de corpos celestes. Seu diâmetro é 60% maior do que o do nosso planeta, o que o faz dele uma ‘super Terra’. O exoplaneta leva 385 dias terrestres para completar uma órbita, ou seja, o ano por lá dura 5% a mais que o nosso. A massa e a composição do planeta ainda não foram determinadas, mas as pesquisas apontam que o planeta é rochoso.

2) Encontramos água líquida em Marte

Água em Marte
Creative Commons – CC BY 3.0Água em Marte

Nasa / Divulgação

A Nasa anunciou a existência de córregos de água salgada. A confirmação foi feita a partir de imagens da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter), da agência, nas quais foi possível detectar sinais de minerais hidratados em áreas parecidas com estrias em encostas do planeta vermelho. A descoberta também abre mais a porta para a possibilidade de existir vida, especialmente microbiana, no planeta vermelho.

3) Sonda Curiosity faz fotos sensacionais do planeta vermelho

Sonda Curiosity em Marte
Creative Commons – CC BY 3.0Sonda Curiosity em Marte

NASA/JPL-Caltech/MSSS

Desde 2011, a sonda Curiosity está em Marte colhendo informações sobre o Planeta Vermelho. Em 2015, ela enviou novas imagens das crateras e formações rochosas do local. Em 8 de outubro de 2015, a NASA confirmou por meio das imagens da Curiosity a existência do que teria sido um  antigo “lago”, há bilhões de anos. E mais: a NASA anunciou planos para mandar seres humanos para Marte a partir de 2030.

4) Veículo espacial finalmente chega a Plutão, que ainda era um planeta em 1985

Plutão e o coração
Creative Commons – CC BY 3.0Plutão e o coração

Nunca na história deste universo, um veículo espacial chegou tão longe. Em julho a Nasa confirmou chegada da Sonda New Horizons ao ponto mais próximo de Plutão. Desde então, o veículo tem mandando diversas informações sobre o planeta-anão. Por causa disso, hoje sabemos que Plutão tem céu azul e água gelada, segundo revelam imagens enviadas pela sonda New Horizons. As partículas que compõem as camadas de neblina de Plutão são, em si, cinzentas e vermelhas, mas a forma como disseminam luz azul chamou a atenção da equipe de cientistas da missão operada pela Nasa. A sonda New Horizons detetou também numerosas, mas pequenas, regiões de água gelada, que correspondem às zonas de cor avermelhada das imagens do planeta que foram divulgadas anteriormente. Vale lembrar: em 1985, quando o filme foi De Volta para o Futuro foi lançado, Plutão ainda era um planeta, mas passou a ser considerado apenas um “planeta-anão” segundo regras da União Astronômica Internacional [1].

5) Prêmio Nobel de Física – novidades sobre os neutrinos

Detector de Neutrino de Daya Bay
Creative Commons – CC BY 3.0Detector de Neutrino de Daya Bay

Departamento de Energia do Governo dos Estados Unidos

O Capacitor de fluxo é o componente principal para o funcionamento da máquina do tempo DeLorean do Doutor Brown. Inicialmente, Doutor Brown utilizou plutônio como combustível para produzir a energia necessária para fazer uma viagem no tempo. O plutônio é matéria-prima para bombas atômicas e o uso de detectores de neutrinos em usinas nucleares é uma estratégia para controlar o possível desvio de plutônio para uso em armas nucleares. Um detector de neutrinos serve para monitorar a atividade nuclear em usinas e verificar a quantidade de plutônio produzida na queima de combustível nuclear. Você deve estar se perguntando o que são neutrinos? São partículas que não têm carga eléctrica, daí o seu nome. Depois do fóton, uma partícula da interação eletromagnética, o neutrino é o objeto mais abundante do Universo. Sua existência é conhecida desde os anos 30, mas só há 15 anos descobrimos que essas partículas têm massa. Este ano o Prêmio Nobel de Física foi concedido a cientistas canadense e japonês que fizeram descoberta histórica: neutrinos têm massa e podem mudar de identidade na trajetória do Sol para a Terra.

6) Testes de vacinas contra o Ebola

Será que MC Fly e Dr Brown imaginariam que em 2015 o planeta ainda sofreriam com doenças tão devastadoras como o ebola?  O vírus infectou mais de 27 mil pessoas e matou outras 11 mil desde o ano passado na África Ocidental. A epidemia teve início na Guiné, em dezembro de 2013 e foi a maior crise da doença desde a descoberta do vírus, em 1976. A boa notícia é que os testes com a vacina experimental contra o vírus Ebola na Guiné começaram no dia 23 de março deste ano nas comunidades afetadas. A vacina revelou-se 100% eficaz após ter sido testada em mais de 4 mil pessoas não infectadas, mas em contato direto com doentes na Guiné.