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Médico de Erechim revela que distrair bebês com celular pode atrasar fala

Estudo mostra que 30 minutos de uso diário aumenta em 50% risco de oralidade tardia

Por: Cristiane Rhoden
Fotos: Luiz Carlos Arpini
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As brincadeiras interativas perderam espaço para as telas de celulares. Mas essa prática que parece ser inofensiva pode esconder perigos que impactam diretamente no desenvolvimento das crianças. O alerta é da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Sociedade Brasileira de Oftalmologia.

O uso de telas digitais pode atrasar o desenvolvimento de determinadas habilidades nas crianças. Pesquisas médicas revelam que os bebês que passavam mais tempo diante desses aparelhos podem ter mais dificuldade em se comunicar, socializar ou resolver problemas do que os que tinham o uso restrito. Especialistas em várias áreas, como da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), desaconselham o uso desses aparelhos para menores de 2 anos. Uma  pesquisa, conduzida no Hospital para Crianças Doentes da Universidade de Toronto, no Canadá, indica que quanto mais “tempo de tela”, maior era o risco de os bebês apresentarem atraso no desenvolvimento da fala.

“A gente tem uma recomendação tanto da Sociedade de Pediatria como da Brasileira de Oftalmologia que é de  evitar a exposição precoce de crianças e bebes a aparelhos eletrônicos, tanto celular, tablets e televisão. Não há uma definição de hora de tempo que a criança pode ser exposta. Nada assegura. O que se sabe é que tem que se evitar o máximo possível. A gente sabe que uma criança que nasce hoje ela vai ser exposta a aparelho eletrônicos muito mais que a gente, então, por segurança, é que bebes e crianças sejam minimamente expostos”, explica o médico oftalmologista do Hospital Santa Mônica de Erechim, André Agnoleto.

Média de 30 minutos por dia

No estudo, os profissionais acompanharam mais de mil crianças entre 6 meses e 2 anos de idade atendidas na instituição entre setembro de 2011 e dezembro de 2015. Destas, 219 (20%) tinham relatos dos próprios pais de uso de aparelhos com telas a uma média de 27,8 minutos diários. Elas foram então avaliadas seguindo um sistema padrão para identificar problemas na comunicação oral. E, segundo os pesquisadores, os resultados da análise apontam que, para cada 30 minutos de “tempo de tela”, os riscos de a criança ter alguma demora para falar sobem em 49%.

“Há indícios, há evidências de que a exposição precoce atrasa a fala, a comunicação da criança. Porque se você não se comunica, não conversa com as pessoas logo no início da vida, terá mais dificuldade no decorrer dela. Isso é uma habilidade que se adquire com a pratica. Se uma criança fica mais restrita ao ambiente com celular, que não é um ambiente muito interativo, acaba que ela mais recebe informação visual que passa informação. Não é uma comunicação eficiente”, enfatiza o oftalmologista.

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