a rádio web da cidade

AO VIVO
Baixe já seu app
PUBLICIDADE

Cidade

Publicidade

MPF busca solução para situação de acampamento indígena em Erechim

Ministério Público Federal ingressou com ação civil pública buscando assegurar à comunidade São Roque condições mínimas para sobrevivência com dignidade, como água potável

Por: Da Redação
Fotos: Ivanor Oliviecki
indios br 153

Enquanto uma das preocupações de boa parte da população de Erechim é com relação à concessão do fornecimento de água, com a dúvida se passará para uma empresa privada ou ficará com a Corsan, um grupo de erechinenses tem um problema bem mais grave. A falta de água potável para beber.

Numa faixa de terra entre a BR 153, uma das rodovias mais movimentadas da região, e uma lavoura de soja, vive um grupo de indígenas em Erechim, que há cerca de 40 anos vem sobrevivendo com as dificuldades que o local, que pertence à faixa de domínio da rodovia, impõe. São cinco famílias, que somam 28 pessoas, das quais 15 são crianças. A única fonte de onde sai a água consumida por essas pessoas está contaminada. Se driblar o risco oferecido pelo trânsito é algo que os indígenas tiveram de aprender com o tempo, o problema da água não depende apenas da adaptação do grupo, que está instalado no local há cerca de quatro décadas.

Morar tão próximo da rodovia, num local conhecido com a “reta de São Roque”, é apenas um desafio a mais. “Meu irmão foi atropelado em 2004. Morreu na hora e o motorista nunca foi identificado”, conta Edgar de Lima (foto), líder do acampamento. Mas o trânsito não é o único risco à vida das pessoas que moram no local, a maioria crianças. As crianças seguidamente sofrem com diarreia, e recentemente um bebê ficou internado por 10 dias.

Dada a situação destas pessoas, o MPF em Erechim ajuizou ação civil pública na Subseção Judiciária Federal de Erechim para compelir a União a fornecer, de forma imediata, água potável e saneamento básico à comunidade São Roque, que vive às margens da BR-153, na altura do km 42, em Erechim/RS, há quase 40 anos.

Na ação também foi requerido que a União e a Funai adquiram uma área de terras, de tamanho não inferior a 1,5 hectares por família, e nela aloque uma estrutura mínima (moradias, sistema de esgoto, água potável e energia elétrica) para que as pessoas sejam reassentadas e possam ter uma vida digna.

O MPF aguarda a análise do pedido da liminar para que, ao menos, a questão da água potável seja resolvida de forma mais célere.

 

Histórico

Os integrantes da comunidade São Roque ocupam uma área com cerca de três hectares, situada na faixa de domínio da rodovia BR-153, altura do Km 42, em Erechim/RS.

Conforme o MPF, há várias décadas, eles têm sobrevivido em condições precárias, em casas desprovidas de banheiros, sem água potável e desprotegidas das intempéries pela deficiente vedação, com grandes vãos, sobretudo no encontro das paredes com o telhado.

As péssimas condições sanitárias e a ausência de água potável são fatores de risco para a saúde da comunidade, sobretudo crianças, tendo sido relatados vários casos de enfermidades que podem ser relacionados com essa situação. O mais recente, diz respeito a uma bebê que teve internação hospitalar por mais de 10 dias em decorrência de uma infecção bacteriana causada pela água contaminada do poço que os abastece.

Além disso, as moradias também se encontram muito próximas da rodovia asfáltica, que tem intenso fluxo de veículos, situação que os coloca, sobretudo crianças, em constante risco de atropelamento.

Conforme Lima, o local foi ocupado por um grupo que saiu da reserva de Votouro, há cerca de 40 anos. “Tradicionalmente esse local era ponto de parada onde os índios que se deslocavam entre as aldeias costumavam acampar. Se tornou um acampamento definitivo, de forma que todos que vivem aqui nasceram nesse acampamento”, conta.

Segundo ele nos últimos anos ocorreram algumas melhorias. Foram construídas casas melhores, a luz elétrica foi instalada em 2010, porém a única fonte de água tem problemas de contaminação. “Existe uma lavoura ao lado onde são aplicados agrotóxicos, e exames indicaram a contaminação por coliformes fecais. Nosso problema mais urgente é com relação à água, mas gostaríamos de uma solução definitiva, já que queremos preservar nossa cultura, e no local onde estamos não podemos, por exemplo, ter uma escola com professor bilíngue. Temos o receio que as crianças não aprendam a falar em kaingang. Nossa língua é nosso maior legado cultural”, lamenta.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Publicidade