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Não foram eles que partiram, somos nós que ainda não chegamos

Reflexão do Pe. Maicon Malacarne nesse dia 02 de Novembro

Por: Pe. Maicon A. Malacarne
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A morte é uma das experiências mais difíceis e conturbadas. Não são todas as pessoas que conseguem assimilar bem esse mistério. Sim, um mistério. Por mais que tenhamos teorias e teologias, o que vem depois da morte é do campo do mistério.

Para a fé cristã é o mistério da ressurreição. A vida não termina aqui, mas continua em Deus. Como será? Difícil de dizer, mas certamente supera todos os limites e gaiolas que o espaço e o tempo nos condicionam. É a liberdade total, cuja vocação começa e recomeça todos os dias até que um dia ela seja plena.

Recebemos, assim, a graça da vida eterna. A eternidade não começa no dia da morte. Não. Começa todo dia. A cada dia acordamos para a eternidade. O que vem depois da morte, a ressurreição da carne (conforme nossa profissão de fé), é a continuidade daquilo que já somos. Daquilo que somos, não daquilo que temos. E aqui está das coisas mais revolucionárias da fé cristã: aquilo que é frágil, pobre, sem poder, sem força, sem absolutamente nada, Deus realiza maravilhas. Deus não deixa ninguém para trás. Todo corpo é sagrado porque também é potência da ressurreição. Corpos violentados, desprezados, machucados, negados são acolhidos no abraço de Deus com a sacralidade que precisam e que, por culpa nossa, são deixados de lado no percurso da história. Sim, é culpa nossa que tantos estejam sofrendo.

Ao visitar os cemitérios, túmulos, jazigos (e é bom que façamos isso!) damo-nos conta de que a vida terrena tem um fim. Não somos imortais aqui. Nascemos nesse mundo para virar pó e não voltaremos para cá. Fazer memória é reconhecer um direito dos mortos: antes de nós ou junto conosco eles marcaram a história e precisam ser lembrados.

Caminhamos para a eternidade. Dom Luciano Mendes de Almeida, em saudosa memória, disse certa vez aquilo que está no título dessa reflexão: não foram eles que já partiram, fomos nós que ainda não chegamos… porque nossa direção é estar com eles.

Somos só caminhantes. No céu, o caminho vira festa e todos poderão sentar-se a mesa, cuidar os “calos” da caminhada, comer e beber com Deus. E é certo que vai ter bolo de chocolate.

Pe. Maicon A. Malacarne

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