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UFFS desenvolve ações para o atendimento das pessoas com deficiências

As instituições federais de Ensino Superior viram aumentar, nos últimos anos, o ingresso de pessoas com deficiência nos seus cursos. O incremento tem a ver com a publicação da Lei 13.409 de 2016, que dispõe sobre a reserva no número de vagas para esse público específico. Desde então, Universidades e Institutos Federais têm articulado equipes de servidores para olhar de forma mais inclusiva para as pessoas com deficiência que estão agora ingressando na academia.

Na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Erechim, o Setor de Acessibilidade atua com ações que possam contribuir para a inclusão desse público, que necessita de um atendimento específico. De acordo com a intérprete de Libras da instituição, Sheila Marques Duarte Bassoli, o setor proporciona apoio didático-pedagógico, serviços, recursos e estratégias que eliminam barreiras ao desenvolvimento e à aprendizagem dos discentes e servidores com deficiência. Um aluno bolsista do Campus também atua no local.

– Hoje trabalhamos da seguinte forma: o aluno com deficiência chega no nosso Campus e fazemos uma entrevista para analisar quais os atendimentos anteriores que aquela pessoa necessitou/utilizou, e o que seria importante para facilitar sua jornada acadêmica. A partir daí começamos a correr atrás para viabilizar essas adaptações, materiais, profissionais, etc. – explica Sheila.

No Campus, pelo menos cinco acadêmicos são assistidos pelo setor – entre eles está um servidor que também cursa mestrado na Universidade.

As deficiências das pessoas atendidas variam. Há casos de cegueira, deficiência visual monocular, deficiência física, deficiência intelectual leve e surdez.

A equipe da UFFS se articula para o apoio de diferentes formas. No caso de acadêmicos com deficiência visual, por exemplo, são produzidos áudios com base nos textos e nos slides que os professores disponibilizam nas aulas. Quando necessário, são feitos materiais em alto relevo para uma melhor compreensão do conteúdo.

O bolsista também acompanha o aluno em alguns momentos em sala de aula para descrição da matéria. Além disso, são prestadas orientações de acesso aos sistemas da Universidade, como o Portal do Aluno, além de auxílio em processos de rematrícula, solicitação das carteirinhas do Restaurante Universitário e da Biblioteca, orientação para o acesso às bolsas, etc.

Outro exemplo é em um caso de deficiência intelectual leve: o Setor de Acessibilidade dialoga constantemente com o corpo docente para efetuar a inclusão do aluno, indicando, por exemplo, possibilidades diferentes de avaliação.

Acadêmico do curso de Agronomia, Paulo Roberto Alves da Silva tem deficiência visual. Para falar do atendimento que recebe na UFFS, enche o peito. “O Setor de Acessibilidade do nosso Campus é um orgulho”, diz.

– O pessoal está sempre me apoiando, vendo quais são minhas necessidades para ter um aprendizado igual ao dos meus colegas. É um trabalho fundamental e muito importante. A equipe está sempre correndo atrás, sempre de forma muito antecipada.

Muitas atividades do curso de Agronomia ocorrem nas Áreas Experimentais, onde acadêmicos e professores lidam com a parte mais prática, no campo. O atendimento que Paulo tem inclui o auxílio inclusive nestes locais, e em outros, como nos laboratórios.

– Estão preocupados em como será minha aula no laboratório tal, ou como será minha locomoção pelas Áreas Experimentais, na ida até o Restaurante Universitário, etc. Isso tudo só me motiva a estar dentro da Universidade e a me esforçar cada vez mais. É um setor que pensa em mim. Há apoio em tudo que eu necessito – diz o acadêmico.

 Papel da comunidade é fundamental

Sheila, a intérprete de Libras da UFFS explica: “É importante termos em mente que tudo o que é adaptado para a pessoa com deficiência melhora para toda a comunidade. Por exemplo, um cartaz feito com letras grandes e pretas com fundo branco facilita para uma pessoa com baixa visão, mas também facilita muito para pessoas com miopia”.

Outra orientação é liberar os espaços onde há piso tátil. “Facilita muito para a pessoa cega e também para alguém que está com um carrinho, carregando uma caixa, entre outros exemplos.”

Nas palavras da profissional, é preciso haver empatia. “É importante pensar empaticamente se eu vejo um colega que tem dificuldades: oferecer ajuda, sempre respeitando o aceite ou a negativa.”

Por fim, quem perceber que um aluno ou colega tem dificuldades além das comuns entre a turma deve entrar em contato com o Setor de Acessibilidade.

– Precisamos conversar e entender quais são essas as dificuldades. Porque muitas deficiências não são identificadas a olho nu. Muitas vezes nem o aluno reconhece – finaliza Sheila.